RENATO FREITAS FICA!

RENATO FREITAS FICA!

RENATO FREITAS FICA!

A mais perigosa criação no mundo, em qualquer sociedade, 

é um homem sem nada a perder

Malcolm X

Por Maria Letícia

Todo o Brasil vem se mobilizado na defesa de Renato Freitas, um homem negro, de esquerda, que há muito tempo luta contra a oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, que recentemente aprovou um pedido de cassação contra o deputado estadual do Partido dos Trabalhadores.

O mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT) foi defendido nas ruas de Curitiba, no dia 6 de junho, na Praça Santos Andrade. O ato, organizado pelo movimento “Renato Fica”, ocorreu após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovar a continuidade do processo que poderá levar à cassação do parlamentar.

O processo tem origem em um episódio ocorrido em 19 de novembro de 2025, no Centro de Curitiba, envolvendo Renato Freitas e o então manobrista Weslley de Souza Silva. Imagens de câmeras e celulares registraram parte da discussão e das agressões. A defesa do deputado sustenta que o caso ocorreu fora do exercício da atividade parlamentar e deve ser analisado pela Justiça comum.

O Conselho de Ética recomendou a perda do mandato de Renato no processo ligado ao episódio. A cassação, no entanto, ainda depende de votação em plenário, após a formalização do projeto de resolução conforme o rito interno da Casa. 

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – cuja sala tem nome que homenageia Rubens Recalcatti, acusado de assassinar uma pessoa já rendida em Rio Branco do Sul, região metropolitana de Curitiba – aprovou a admissibilidade do parecer do Conselho de Ética por 8 votos a 2. 

Desde sua atuação na Câmara de Vereadores até sua eleição para a Assembleia Legislativa, Renato Freitas consolidou uma trajetória marcada pela defesa da justiça social, da luta antirracista, dos direitos da classe trabalhadora e das demandas populares. 

O que se vê, agora, é uma ofensiva conduzida por setores da extrema-direita e por representantes da velha política paranaense, historicamente comprometida com uma forma de legislar distante do povo e marcada por interesses conservadores.

Em uma disputa aberta sobre democracia, representação popular e luta antirracista, os aliados à causa têm usado não só as ruas como forma de revolta e protesto, Renato tem recebido o apoio de milhares de cidadãs e cidadãos brasileiros, parlamentares e movimentos de resistência

O deputado federal Chico Alencar usou suas redes para trazer uma reflexão crítica e necessária, resgatando os versos de Cecília Meireles em Romanceiro da Inconfidência: “Toda vez que um justo grita um carrasco vem calar. Quem não presta fica vivo, quem é bom mandam matar”. 

A deputada federal Dandara Tonantzin também expressou seu apoio: “Renato Freitas é a voz negra mais revolucionária desse Paraná. Não é à toa que ele incomoda os poderosos e as elites”. 

Renato tem se posicionado de cabeça erguida, carregando a voz de milhares de brasileiras e brasileiros: “Essa é a nossa voz, a nossa vez. Eu tenho fé, acredito em Deus. A nossa história não será apagada pelos podres poderes. Ela vai continuar porque nossos passos vêm de muito longe”.

Ato em Curitiba reune milhares em defesa do mandato de Renato Freitas
Brasil fora da caverna/reprodução

Maria Letícia Marques MenezesMaria Letícia Redatora-Chefe da Revista Xapuri. Capa: Crédito: Giorgia Prates

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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