Decisão do Governo ameaça de morte povos indígenas
Davi Popygua Guarani: Líder guarani teme massacre e diz que indígenas viraram alvo no governo Bolsonaro. Mudança da responsabilidade pela demarcação de terras da Funai para o Ministério da Agricultura, comandado por ruralistas, pode significar o fim da política indigenista no Brasil
Popygua destaca que o Estado brasileiro deveria reconhecer os direitos dos povos indígenas, conforme a Constituição. Para ele, a decisão do governo Bolsonaro representa o fim da política indigenista no Brasil. “É um absurdo o que está acontecendo. Daqui pra frente vão acontecer muitas mortes e quem mais vai sofrer com essa situação são as crianças, os jovens e os velhos indígenas.”
Para o líder, não há dúvida de que a dificuldade atual dos povos originários de garantir os seus direitos ficará muito pior. “A gente não consegue nem imaginar o que é entregar o território e os povos nas mãos dos ruralistas que, historicamente, nos perseguem”, lamenta, enfatizando que o Brasil já tem um alto índice de mortes por questões fundiárias.
Segundo Popygua, com 60% do território indígena ainda não demarcado, não deverão ocorrer novas demarcações de terra no governo de Bolsonaro. “O governo está negando o direito histórico dos povos indígenas e, sem dúvida, dizendo que eles não merecem respeito, não merecem dignidade, não merecem ter a sua cultura preservada. É como se nós, agora, fôssemos um alvo do governo a ser exterminado.”
A liderança guarani faz, inclusive, um apelo para que a população brasileira não fique omissa. “Até as pessoas que votaram nesse governo têm que se manifestar, porque são medidas absurdas. Estamos falando da vida dos povos indígenas.”
David Popygua. Foto: Luca Meola/Midia Ninja
Capa: Povo Yawanawa, Acre. Foto: Raimundo Pacó










