O CAMINHO DO DIÁLOGO DA VIDA INTERIOR

O caminho do diálogo da vida interior

Escutamos muitas pessoas dizerem que a misericórdia do Criador é infinita. Estas pessoas estão certas, de nenhum modo posso ao menos cogitar que elas estejam erradas, pois o Criador tem um grande amor por cada um de nós.

Por Padre Joacir S. d´Abadia
 
Um amor que abarca todos, mas que se sente amado no particular, um amor intimista, que não intimida, ao contrário, deixa cada um livre para poder aprofundar na experiência do amor.
 
O que realmente falta a esta vivência do amor é uma tentativa de externar o amor que recebemos na nossa vida interior em gestos concretos. Deste modo, podemos conseguir falar do “caminho do diálogo da vida interior”.
 
Neste opúsculo de reflexão filosófica, o que não excluiu o recurso teológico, o objetivo inicial é permitir que cada leitor fique tentado a caminhar para dentro se si mesmo, descobrindo que pode questionar sua própria vida e, destes questionamentos, dialogar com seu interior.
 
As descobertas encontradas são melindrosas neste caminho. Enquanto se caminha para dentro de si mesmo, as preocupações externas, com tudo que a humanidade vive na atualidade, ainda faz-se ouvir. Ressoa como um grande eco que urde nas entranhas humanas.
 
Bem no fundo da vida de cada pessoa que se propõe escutar seu silêncio e dialogar com ele, mora estas descobertas onde a beleza e o encanto se evidencia. O interior do homem está cheio de mistérios, os quais vão sendo desvendados na medida que se avança no caminho do diálogo interior.
 
O caminho vai se fazendo e, com isso, o homem consegue caminhar para seu interior onde inicia um diálogo tendo como interlocutor sua própria vida. Assim, ele consegue a consolação do seu coração, aproxima-se “mais” o mesmo de si mesmo, faz uns questionamentos da vida onde descobre que as muitas leis, regras e decretos pode até vigiar a vida dos homens, mas não consegue o essencial que é a salvação das almas.
 
Por fim, este homem que caminha consigo mesmo para dentro de si, abrindo caminho para o diálogo interior, consegue olhar para seu externo e faz elogios, principalmente às pessoas que se destacam por exercer um ofício profissional.
 
O elogio, contudo, pode se dá num discurso trabalhoso, porém o que não pode faltar a este homem é uma perturbação com sua sombra, as coisas que estão em sua volta.

Padre Joacir d’Abadia é filósofo, escritor  e autor de 15 livros.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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