A Amazônia e o mundo

A e o

Os suíços comemoraram a ascensão do seu Instituto Federal de ETH Zürich, que ocupou o sétimo lugar, no ranking universitário da Quacquarelli Symonds deste ano, anunciado nesta semana.

Por Lúcio Flávio Pinto  

A instituição continua a ser a melhor da Europa continental. No entanto, os suíços também reconheceram que, no geral, as universidades do país novamente perderam terreno. A Politécnica Federal de Lausanne, por exemplo, caiu 20 posições, ficando em 36º lugar.

O Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos , liderou a lista da QS pelo 12º ano consecutivo, seguido pelas universidades de Cambridge e Oxford.

A classificação, uma das várias grandes comparações internacionais de , elabora sua lista com base em indicadores que incluem reputação acadêmica e de empregadores, relação /aluno, citações de pesquisas e perfil internacional. A sustentabilidade foi acrescentada neste ano.

A organização classificadora disse que o ligeiro declínio geral da Suíça foi provavelmente devido ao fato de que “ela está lutando para difundir sua óbvia qualidade em todo o mundo, e particularmente no mercado de ”.

As universidades suíças obtiveram uma pontuação alta por sua influência na pesquisa, medida em termos de citações de pesquisa, pela qualidade do ensino e o número de alunos por professor.

O QS World University Ranking 2024 lista 1.499 instituições de ensino superior de todo o mundo. A Universidade Federal do Pará, a maior da Amazônia, com 45.647 alunos e 2.605 professores, ficou no 1.401º lugar.

Mas não se ouve qualquer a respeito dessa posição. Nem em Belém, nem nas demais capitais dos nove Estados da região, que ocupa 60% do território brasileiro. A Amazônia é cada vez mais um tema mundial. Menos nela própria.

download 1Lúcio Flávio Pinto – Jornalista e Escritor, em Amazonia Real. Foto: Divulgação/UFPA.

 
 
 
 
 
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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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