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A imagem do Brasil e a política ambiental

A imagem do Brasil e a política ambiental

Cuidados com o meio ambiente interferem na economia e nas relações diplomáticas

Nas últimas semanas, as notícias sobre o meio ambiente vêm tomando cada vez mais espaço entre as notícias no Brasil e no mundo. Em grande parte, esse interesse repentino foi causado pelo grande aumento de queimadas no mês de agosto, superando a média dos últimos anos.

A Constituição Federal Brasileira estabelece, no artigo 225, que todos os brasileiros têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, podendo ser usado por todo o povo como um bem essencial para a qualidade de vida. No parágrafo 4, também está estipulado que a Floresta Amazônica será utilizada apenas respeitando as condições que assegurem sua preservação e de seus recursos naturais.

Porém, o interesse mundial na política ambiental brasileira, além de considerar o respeito ao meio ambiente, também engloba questões econômicas.

Meio ambiente e economia

Essencial para a manutenção do regime de chuvas em boa parte da América do Sul, a Amazônia também guarda a mais importante biodiversidade do planeta. Frequentemente, cientistas descobrem novas espécies ainda não catalogadas ou novas funções medicinais na fauna e flora da região amazônica.

A falta de cuidados com esse ecossistema, tão importante para todas as nações, fez com que subissem as suspeitas de sanções econômicas e comerciais à produção brasileira.

Exportações de carne, soja e outras matérias-primas foram ameaçadas à medida em que o governo não pôde comprovar para os principais importadores a responsabilidade ambiental na produção ou criação desses bens.

Além disso, um trabalho que vinha sendo feito nos últimos anos para fortalecer a imagem do Brasil como ponto turístico de cenários paradisíacos também se vê ameaçado com o descaso de autoridades e o enfraquecimento de órgãos reguladores.

Ou seja, além de abalar as relações diplomáticas por afirmações polêmicas, o governo brasileiro se viu obrigado a assumir uma política ambiental mais próxima das exigências de tratados internacionais, sob o risco de comprometer ainda mais o planejamento econômico para os próximos anos.

A mudança para uma política ambiental mais responsável, ainda que tardia, é urgente para que o Brasil se posicione como uma potência para o mundo.

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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