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A Mãe Natureza grita por socorro

A Mãe Natureza grita por socorro

Por Mídia Índia

Texto: Marília Cirne e Mariana Bitencourt, cobertura especial da 1º Assembleia da Aliança dos Guardiões da Mãe Natureza

A frase acima é do líder Yanomami Davi Kopenawa e está logo no início de seu livro, lançado em 2013 em parceria com o antropólogo Bruce Albert, intitulado “A queda do céu”. A narrativa é um relato único sobre a vida e a luta de seu povo, incluindo a luta contra os garimpeiros que inundam suas terras a muitas décadas. Desde o final dos anos 1980, Kopenawa vem denunciando para o mundo o genocídio que o garimpo traz, além de outros instrumentos do chamado “desenvolvimento”. Naquela época, eram cerca de 82 pistas clandestinas de voo usadas para levar os trabalhadores ao centro da floresta, 200 balsas que bombeavam cascalho atrás do minério e cerca de 500 barracas de garimpeiros espalhadas por três acampamentos localizados dentro de aldeias Yanomami. O fluxo dos garimpeiros diminuiu um pouco na época da homologação da Terra Indígena, em 1992, mas de lá pra, vem crescendo novamente. Em documento publicado em 2014 por associações e pelo ISA (Instituto Sócio Ambiental), foram constatados 84 indícios de garimpo nessa mesma área.

 A extração de ouro e de outros minérios pode acontecer a céu aberto ou pela perfuração da terra. É difundido o uso de compostos químicos como mercúrio, cianeto ou urânio, que trazem graves prejuízos à saúde do meio ambiente, das águas, das plantas, dos animais e do homem. O mercúrio que se perde no meio ambiente nesse processo contamina os rios e os lençóis freáticos.

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Kretã Kaingang fala sobre o fracking durante a Assembleia da Aliança dos Guardiões da Mãe Natureza

Foto: Mídia NINJA

Destruir a natureza para retirar recursos compromete a cada dia a saúde de nós mesmos. Contaminar a água significa contaminar as plantas e a carne dos animais que comemos, até mesmo contaminar o oxigênio que as árvores devolvem para a atmosfera. Abubacar Albachir, liderança do Povo Tuareg, do Níger, conta há empresas francesas de mineração em seu território que sabem dos riscos que o processo traz e continuam com seus projetos de desenvolvimento.
Para além dos danos causados pela utilização de compostos químicos, fazem parte dessa cadeia de impactos socioambientais os desmatamentos feitos para a construção de pistas de pousos, acampamentos e desmonte de barrancos, que provocam liberação de gases na atmosfera, barulho gerado pelos carros e aviões, o que espanta animais, além das alterações dos leitos dos cursos d’água. Esses dois últimos exemplos provocam profundas alterações em ecossistemas aquáticos e em comunidades ribeirinhas, como a liberação de argila, provocando alterações físico-químicas na água, como seu escurecimento, diminuindo a quantidade de oxigênio e gerando queda na biodiversidade do espaço. Acidentes de trabalho, tráfico de drogas, prostituição e exploração de menores, crimes contra comunidades que vivem nesses espaços e comércio ilegal de armas acompanham o pacote da mineração.

Outro exemplo de formas nociva de extrair recursos da natureza é o Fracking, técnica de perfuração hidráulica utilizada para retirar combustíveis fósseis do solo, como petróleo, carvão mineral e gás natural. Essa tecnologia é proibida na Europa, então, empresas de exploração mineral de lá vêm para o Brasil constantemente explorar o gás natural daqui, realizando agressivas perfurações no subsolo brasileiro.

A profundidade das formações da camada de carvão metano, folhelho, variam entre 137 m até mais de 3.200 m. A diferença entre essa técnica, não-convencional, e a perfuração convencional é que ela consegue acessar as rochas sedimentares de folhelho no subsolo e, consequentemente, explorar reservatórios que antes eram impossíveis de ser atingidos. O chamado gás xisto, é um gás natural encontrado comprimido no subsolo e possui a mesma composição química que o petróleo. O Fracking contamina os lençóis freáticos e, a partir disso, toda uma cadeia alimentar, não se restringindo somente ao Brasil, mas a qualquer território que os combustíveis fósseis sejam explorados.

“O homem branco não entende a luta de proteção da natureza pelos Originários. Para eles, o que interessa é retirar. Para eles, somos só um mercado que se rouba e se retira”, diz Kretã Kaingang, representante do Povo Kaingang do Paraná que sofre diariamente com a agressividade do homem branco ao perfurar a terra para retirar gás.

Fonte: Mídia Índia

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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