Abril, 1980 – Abril 2018: As prisões políticas de Lula

Da Redação da Agência PT de notícias, com informações do Instituto Lula

Nesta sexta-feira (19), manifestantes se juntaram no Memorial da Resistência, em São Paulo, para lembrar a primeira prisão política de Lula. No dia 19 de abril de 1980, há 39 anos, Luiz Inácio Lula da Silva, então líder sindical no ABC paulista, foi preso pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), a polícia política da ditadura militar.

Na ocasião, Lula era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, foi preso em casa e indiciado na Lei de Segurança Nacional, junto com outros dez dirigentes sindicais. Suas prisões ocorreram no contexto de uma paralisação por reajuste salarial e estabilidade no emprego, que mobilizava multidões de trabalhadores. No 19º da paralisação, foram sentenciados.

As grandes greves marcaram a década de 1980 no Brasil e compuseram o enfrentamento e a oposição dos trabalhadores frente ao regime militar, imposto por um golpe em 1964, que o atual presidente, Jair Bolsonaro (PSL), propôs que foi comemorado, dias atrás.

Em um novo cenário de instabilidade democrática, em 2018, o cenário se repete. Lula é novamente um preso político, vítima de uma prisão arbitrária e sem provas. Desta vez, para ser retirado da corrida eleitoral, na qual era o preferido do povo brasileiro.

Fonte: https://pt.org.br/as-prisoes-politicas-de-lula-ha-39-anos-ditadura-o-condenava-ao-carcere/

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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