AILTON KRENAK: "A GENTE PRECISA INVESTIGAR O SALLES..."

AILTON KRENAK: “A GENTE PRECISA INVESTIGAR O SALLES…”

Ailton Krenak: A gente precisa investigar o Salles… 

Do Facebook do Caetano Scannavino
 
Ailton Krenak no Roda Viva – “Na entrada do século 21, nós éramos presença obrigatória nas conferências do clima e o Brasil sempre foi considerado uma referência no ambientalismo no mundo.
 
Se você bota um ministro do Meio Ambiente para detonar com tudo que esse país conseguiu conquistar no campo da gestão ambiental, transformar a gente numa sucata, é um grande serviço que esse sujeito está prestando.”
 
(…) “Esse sujeito é medíocre, ele é subserviente, está ali para executar um plano, um plano danoso para a soberania ambiental do Brasil. Ele participa de uma conspiração para transformar o Brasil em um país que liquidou sua biodiversidade.
 
A gente precisa investigar o Salles. Ele deve estar a serviço de uma bandidagem muito poderosa”.
 

ailton krenak 750x410 combate ao racismo ambiental

Fonte da foto: https://xapuri.info/wp-content/uploads/2016/11/ailton-krenak-750×410-combate-ao-racismo-ambiental.jpg

 
Ailton Krenak é líder indígena, escritor e membro do Conselho Editorial da Revista Xapuri.
 
Seu livro “Ideias para adiar o fim do mundo” está entre os mais vendidos do país.
 
Sua participação no Program Roda Viva, dias antes do Cúpula do Clima, nos Estados Unidos, lavou a alma de muita gente. Imagem: Do Facebook do Caetano Scannavino, no mesmo post.

GOSTOU DESTA MATÉRIA? ENTÃO, POR FAVOR, PASSA PRA FRENTE. COMPARTILHE EM TODAS AS SUAS REDES. NÃO CUSTA NADA, É SÓ CLICAR!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

CONTATO

logo xapuri

REVISTA

© 2025 Revista Xapuri — Jornalismo Independente, Popular e de Resistência.