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Cavalhadas de Goiás: Mais de dois séculos de tradição

Cavalhadas de Goiás: Mais de dois séculos de tradição

As Cavalhadas são representações baseadas nas tradições de Portugal e da Espanha na Idade Média. O teatro é ambientado no século VIII, na região dos Pireneus, entre a Espanha e a França, simbolizando o combate entre o exército cristão de Carlos Magno e os muçulmanos da Mauritânia, para decidir quem detinha a fé verdadeira.

Durante séculos essa história foi cantada por trovadores, até que no final do século XV Isabel I, a Católica, de Portugal, decidiu estabelecer unidade religiosa no reino de Castela e Leão, implantando o Catolicismo nas terras conquistadas. Uma das medidas foi criar uma festividade para incentivar o culto cristão.

No dia de Pentecostes, a corte portuguesa saía em procissão do palácio até a catedral, onde era rezada missa solene dedicada ao Divino Espírito Santo. O rei e a rainha, em trajes de gala, portando a coroa e o cetro, seguiam acompanhados da alta nobreza, ostentando o brasão real português e grandes bandeiras em vermelho com o símbolo do Divino bordado, acompanhados por banda de música.

REGISTROS NO BRASIL

A Festa do Divino Espírito Santo e as Cavalhadas foram trazidas para o Brasil pelos colonizadores portugueses no século XVI. A mais antiga de que se tem notícia no país foi encenada em Pernambuco em 1584. Há registro de Cavalhadas em 1609, em Pernambuco e no Rio de Janeiro. A festa foi descrita também em 1745, em Recife. O espetáculo reproduz a nobreza dos reis, príncipes e embaixadores.

As nossas Cavalhadas são compostas por dois grupos de 12 cavaleiros, um deles vestido de azul, representando os cristãos, e o outro grupo trajando vermelho, simbolizando os mouros, povos do norte da África, Marrocos e Mauritânia, que dominaram por séculos a Península Ibérica. Um momento emocionante é o batismo dos mouros, derrotados, por um padre, marcando a conversão deles ao Cristianismo.

Pirenópolis. Cavalhadas18. David Rego Jr. MTURFoto: David Rego Jr. – MTUR

GOIÁS

As Cavalhadas são realizadas há mais de 200 anos em Goiás, unindo religiosidade, cultura, turismo e economia, e valorizando o patrimônio imaterial do Estado. O Circuito Cavalhadas de Goiás, coordenado pela Goiás Turismo, busca valorizar a tradição e destacar o espetáculo nos municípios de Corumbá de Goiás, Crixás, Hidrolina, Jaraguá, Palmeiras de Goiás, Pilar de Goiás, Pirenópolis, Posse, Santa Cruz de Goiás, Santa Terezinha de Goiás e São Francisco de Goiás.

O trabalho da Agência Goiana de Turismo com a criação do Circuito estabelece um elo entre os municípios que mantêm a tradição das Cavalhadas, preserva e incentiva a retenção da história, o folclore e a religiosidade do povo goiano. A festa, que mistura elementos sagrados e símbolos pagãos, atrai milhares de turistas a essas cidades, que movimentam e enriquecem a economia local, incrementando as vendas e gerando empregos.

Na capitania de Goiás, a mais antiga apresentação das Cavalhadas da qual se tem registro foi encenada no arraial de Santa Luzia, atual cidade de Luziânia, no dia 6 de janeiro de 1751.

As Cavalhadas foram implantadas nos municípios goianos do Ciclo do Ouro. Além da festa litúrgica, missa e novena, a celebração no período colonial origina os elementos culturais e religiosos da festa no Centro-Oeste brasileiro: Império do Divino, Entrada da Rainha e Cavalhadas. Em Santa Cruz de Goiás a festa é realizada ininterrupta há mais de 200 anos.

cavalhdas curta maisFoto: Curta Mais

CALENDÁRIO DAS CAVALHADAS GOIANAS EM 2018

DIAS MÊS LOCAL
19 e 20 Maio Posse
19 e 20 Maio Santa Cruz
20 e 21  Maio Jaraguá
20 e 22  Maio Pirenópolis
01 e 03 Junho Palmeiras de Goiás
09 e 10  Junho Crixás
09 e 10  Junho São Francisco de Goiás
14 e 15  Junho Cedrolina – Distrito de Santa Terezinha de Goiás
16 e 17  Junho Hidrolina
07 e 09 Setembro Corumbá de Goiás
08 e 09   Pilar de Goiás

cavalhadas comissão goiana de folclore.Foto: Comissão Goiana de Folclore

Fonte: emaisgoias


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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