Assentamento Castro Alves - ES: 30 Anos!

ASSENTAMENTO CASTRO ALVES – ES: 30 ANOS!

Assentamento Castro Alves – ES: 30 Anos!

As três décadas de um dos primeiros assentamentos conquistados pelo MST no estado serão comemoradas com três dias de muita festa

Por Comunicação MST/ES  
De 8 a 10 de junho os trabalhadores e trabalhadoras assentamento Castro Alves em Pedro Canário, extremo norte do Espirito Santo, comemorarão seu 30º. As três décadas de um dos primeiros assentamentos conquistados pelo MST no estado serão comemoradas com três dias de muita festa.
 

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Divulgação MST 

A assentada Rosane de Souza Pinheiro fala sobre a importância de relembrar os anos de histórias do acampamento, resgatando lembranças do coletivo, os conflitos e também as conquistas.
“A festa pretende ser um grande marco no assentamento, um momento histórico e importante que marca os 30 anos, principalmente para mostrar aos mais novos como foi o início de tudo” afirma a filha de assentada e moradora do assentamento Castro Alves.
A festa começa na sexta feira (8) com concurso de quadrilha, seguido por show de forró com Chapéu de Palha e Neto Nunes. Para o sábado (9) estão programadas apresentações culturais de hip hop, capoeira, Folia de Reis, karatê, moda de viola, zumba e quadrangular feminino.
A abertura oficial vai contar com a mística preparada pelos educadores e educandos da E.E.E.F. Três de Maio e com shows de Elias Wagner, João Victor e Vinicius e Adriano e seus teclados. No domingo (10) uma celebração ecumênica e um torneio de futebol encerram as atividades.

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Divulgação MST 

Histórico 
O assentamento Castro Alves tem sua história de luta. Em 20 de Setembro de 1986, o MST realizou, com aproximadamente 300 famílias, a ocupação, de mais um latifúndio improdutivo, numa área da Floresta do Rio Doce, no Distrito de Nestor Gomes, município de São Mateus.
 

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Divulgação MST 

Dessa ocupação resultaram os Assentamentos de Juerana (área que já havia sido ocupada), de Rio Quartel, em Linhares (20/02/1987, 45 famílias ocuparam a área), assim, em 25 de Dezembro de 1986 cerca de 90 famílias ocupam a Fazenda Castro Alves, em Pedro Canário.
No final de 1987, 500 famílias tentaram ocupar a fazenda Scardini, em Nova Venécia, barrados pela repressão policial e dos pistoleiros, eles aderiram à resistência e montaram um grane acampamento na beira da estrada. Todavia, foram obrigados a sair do local e se transferiram para o município de Pedro Canário, na Fazenda Castro Alves, onde permaneceram enfrentando perseguições, prisões e ameaças.
Essas famílias viram de Jaguaré, Nova Venécia, São Mateus, Linhares, Montanha, Pinheiros. 3 de Maio de 1988 – É criado o Assentamento Castro Alves, Finalmente é a Emissão de Posse, somos assentados.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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