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Associação Britânica de Veterinária tira onda com movimento antivacina

Associação Britânica de Veterinária tira onda com movimento antivacina

Por Lucas Massao

A Associação Britânica de Veterinária (BVA, em inglês) afirmou nesta semana que cachorros não podem ter autismo. O órgão decidiu se posicionar contra os movimentos antivacina, que vêm divulgando mensagem nas redes sociais na tentativa de expandir sua influência para o mundo animal.

Mas o que o autismo tem a ver?

É que um dos argumentos principais dos antivacina diz que a imunização pode ser a causa de autismo em crianças.

Logo, a BVA passou para lembrar que cães não podem ter autismo, então, por favor, continuem vacinando seus bichinhos.

A teoria, que é forte nos Estados Unidos, pode fazer com que a taxa de vacinação de animais no Reino Unido seja ainda menor do que é hoje.

“Nós estamos cientes de um aumento de antivacinação nos donos de bichos de estimação nos EUA.

Eles demonstraram preocupação com a possibilidade de que vacinas podem levar seus cachorros a desenvolver comportamentos semelhantes ao autismo”, disse a BVA.

O órgão desmentiu o boato e disse categoricamente que “não há nenhuma evidência científica atualmente que sugere autismo em cachorros ou uma conexão entre vacinação e autismo”.

“Todos os remédios possuem efeito colateral, mas, no caso das vacinas, esses efeitos são raros e os benefícios da vacinação em proteger contra doenças sobrepõem o potencial de uma reação adversa”,

completou a BVA.

A polêmica no Reino Unido surgiu após o programa Good Morning Britain, da rede ITV, ter publicado uma mensagem no Twitter pedindo para falar com donos de animais que não os vacinaram porque estão preocupados com os efeitos colaterais e com pessoas

que acham que os bichos estão com comportamento semelhante ao autismo após tomarem as imunizações.

Alguns usuários criticaram o programa e pediram que esse pensamento não tenha espaço ou atenção na mídia.

A BVA alertou que donos que não vacinam seus animais podem estar quebrando a lei.

“É importante lembrar que estamos sob uma legislação em que os donos têm a obrigação de proteger seus animais de dor, machucados, sofrimento e doenças”.

Fonte: Super Abril

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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