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Miguel Nicolelis, cientista brasileiro, comemora pesquisa que devolveu movimentos a paraplégicos

Miguel Nicolelis, cientista brasileiro, comemora pesquisa que devolveu movimentos a paraplégicos

Por: Redação hypeness

Na última sexta-feira (10), Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro, publicou na revista Nature uma pesquisa liderada por ele, que levou dois paraplégicos a caminharem.

Para ser posto em prática, o projeto contou com vários fatores, como o desenvolvimento de um novo dispositivo de estimulação muscular e de uma interface cérebro-máquina. Como resultado, dois pacientes com paraplegia crônica “foram capazes de caminhar com segurança apoiados em 70% do peso do próprio corpo, acumulando ao todo 4.580 passos”, como explicam os cientistas no estudo.

A pesquisa faz parte do ‘Walk Again Project’(projeto Andar de Novo, em português), um consórcio internacional sem fins lucrativos, que conta com pesquisadores cujo foco é a recuperação de pacientes com lesões medulares. Num vídeo publicado pelo projeto, é possível assistir à caminhada dos pacientes que, ao imaginarem o movimento da perna, acionam a contração de oito músculos do membro.

“Aqui novamente as imagens de um feito histórico da balbúrdia da ciência brasileira!”, escreveu. A menção se deve à justificativa do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que classificou o que ocorre nas universidades federais brasileiras como “balbúrdia” e, com isso, justificou o congelamento de 30% das despesas não obrigatórias de todas essas instituições no país.

O trabalho do neurocientista ganhou notoriedade fora do meio acadêmico na abertura da Copa no Brasil, em 2014, quando um jovem paraplégico caminhou e deu um chute simbólico numa bola, através de um exoesqueleto desenvolvido pela equipe de Miguel.

Fonte: https://www.hypeness.com.br/2019/05/balburdia-da-ciencia-cientista-brasileiro-comemora-pesquisa-que-devolveu-movimentos-a-paraplegicos/


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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