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BALEIA JUBARTE: A BAILARINA DOS MARES

 

BALEIA JUBARTE: A BAILARINA DOS MARES

A cada ano, entre os meses de julho e outubro, as baleias Jubarte deixam as águas geladas da Antártida para, depois de mais de 25 mil quilômetros de viagem em total jejum (elas só se alimentam de krill e pequenos peixes enquanto estão em seu ambiente polar), para acasalar sob o belo canto dos machos e gerar seus filhotes nas águas mornas do litoral brasileiro.

A baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae), ou baleia-corcunda, ou baleia-cantora, mamífero marinho da ordem dos cetartiodactylos, subordem dos cetáceos e infra ordem dos misticetos, mede em média 12 a 17 metros (fêmea de 16 a 17) e pesa entre 35 e 40 toneladas.

baleia jubarte
baleia jubarte

Quando salta, a Jubarte eleva seu corpo quase completamente todo para fora da água. Durante o salto, suas longas nadadeiras peitorais, que chegam a medir até 1/3 de seu comprimento total, comparam- se às asas de uma ave. Essa é a origem do nome Megaptera, que em grego antigo significa “grandes asas”, enquanto novaeangliae refere-se ao primeiro local onde foi registrada a espécie, na Nova Inglaterra.

Como outras grandes baleias, a Jubarte já foi muito ameaçada pela caça industrial. Elas foram caçadas até a beira da extinção e, até a Moratória de 1966, a espécie foi reduzida a cerca de 90% de sua população. Hoje existem cerca de 80 mil exemplares na natureza. Mesmo com o fim da caça comercial, as baleias ainda sofrem com várias ameaças: emalhamento em redes de pesca, colisão com embarcações e poluição.

IzaleteIzalete Tavares

@izaletetavares

Fonte: http://www.baleiajubarte.org.br/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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