“Eu sei desenhar, mas não quero” – Basquiat (1960 – 1988)
Está em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil de São Paulo, desde 25 de janeiro, a exposição que conta com mais de 80 obras de Jean-Michel Basquiat. A mostra homenageia o artista e traz, em retrospectiva, gravuras, desenhos e pinturas do artista Nova Iorquino que foi percussor e tornou-se um dos maiores nomes do movimento neo-expressionista da arte
Por Elisa Schuster
Dotado de um incrível talento e gosto pela arte, Basquiat desde cedo teve interesse pelas artes. Desde pequeno visitava museus com sua mãe em Nova Iorque e, aos 3 anos, fez seus primeiros desenhos e caricaturas inspirados em quadrinhos e animações que assistia.
Aos 7, sofreu um atropelamento, no qual teve um de seus braços quebrado e precisou passar por uma cirurgia de retirada do baço. Durante o pós operatório, ainda no hospital, ganhou de sua mãe o livro Grays Anatomy – o atlas da anatomia humana, para que se distraísse em sua recuperação.
O peso desse contato que teve em sua infância se reflete muito em sua arte, de forma que é possível observar em suas obras uma influência extremamente forte de ambas as temáticas: não apenas os desenhos animados, quadrinhos e cartoons como também o conhecimento sobre as formas anatômicas do corpo.
A exposição traz obras de diversos períodos da vida do aristista, onde é possível enxergar essas influências de diferentes formas e em diferentes momentos de sua vida. Contribuindo com a construção de suas gravuras e pinturas tanto no quesito temático quanto no estético.
Itinerante, a mostra chegará posteriormente a outras três capitais esse ano: Brasília no dia 21 de abril, Belo Horizonte em 16 de julho e Rio de Janeiro em 12 de outubro Negro e de ascendência latina, o racismo permeou fortemente a vida de Basquiat, que viveu uma grande dualidade – durante as Vernisages, costumava ser extremamente ovacionado por seu talento e postura enquanto um dos principais –se não o principal-afro-americano na cena artística de Nova Iorque; nas saídas, contudo, os taxis não paravam ao seu sinal.
Dessa maneira, a temática racial também é explorada em suas pinturas, colagens e quaisquer obras de expressão – colocando a imagem do negro como herói e como Deus em várias dessas obras.
Jean-Michel Basquiat possui um acervo riquíssimo e impressionante, e sua história que não fica atrás. A mostra, trazida pelo CCBB é gratuita e nos oferece a oportunidade de adentrar um pouco no mundo desse artista extremamente dotado de talento, genialidade e amor pela arte, conhecendo um pouco mais de sua trajetória de vida e artística.
Sua ascensão ao sucesso, as exposições das quais participou e as obras que exibiu – bem como a sua parceria com grandes nomes da arte.
Foto: Elisa Schuster
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Um jovem negro os reconhece do lado de fora e decide aproximar-se, mostrando cartões-postais desenhados por ele mesmo entre as mãos. Warhol, conhecido como o rei da arte pop, compra um dos cartões, enquanto o crítico afasta o adolescente, chamando-o de pirralho.
Aquele jovem ousado de 17 anos chamava-se Jean-Michel Basquiat.
Hoje, mais de 30 anos depois da sua morte prematura em 1988, Basquiat é o artista negro mais bem cotado da história.
Sua obra Sem Título (1982), mostrando uma caveira colorida pintada com linhas grossas, foi leiloada pela casa Sotheby’s em 2018, por US$ 110,5 milhões (cerca de R$ 575 milhões). Na época, foi o valor mais alto pago a um artista americano.
Crédito,Getty Images
Basquiat nasceu em 22 de dezembro de 1960. Seu pai era haitiano-americano e sua mãe tinha ascendência porto-riquenha. Ele deixou de viver nas ruas para fazer sucesso sem nunca ter cursado formalmente uma escola de arte. Não chegou sequer a concluir o ensino médio.