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BIA DE LIMA, BIA DE LUTA!

BIA DE LIMA, BIA DE LUTA!

Bia de Lima é dessas mulheres que espalham luz por onde passam. Outro dia em Formosa, em reunião com uma meia centena de profissionais de Educação, a pedagoga Bia, goiana de Jataí, especialista em educação brasileira pela Universidade Federal de Goiás (UFG), moveu corações e mentes em defesa da categoria, dos movimentos sociais e da democracia.

Por Zezé Weiss

Carinhosa no trato, mas firme, muito firme, na defesa da plataforma de direitos da Educação goiana e das conquistas sociais da sociedade brasileira, a presidenta licenciada da CUT-Goiás e do Sintego, duas vezes vereadora em Jataí  (1997–2001 e 2001–2004), Bia mantém a mesma energia, o mesmo vigor e a mesma paixão da estudante dos anos 1980, quando militou no Movimento Reviravolta e presidiu o Centro Acadêmico Paulo Freire da UFG.

Eleita três vezes para presidenta do Sintego, a última, em 2021, com mais de 90% dos votos da categoria, Bia se orgulha muito da conquista da Lei do Piso, no governo Lula: “Nossa categoria lutou 200 anos para ter um piso salarial e, no seu governo, o presidente Lula sancionou a Lei. Mas é preciso muito mais, é preciso travar uma batalha constante para garantir que a Lei do Piso seja integralmente cumprida em nosso estado de Goiás.”

E é para lutar, principalmente, em defesa dos direitos da Educação, que Bia de Lima aceitou o pedido da categoria e colocou seu nome à disposição para se candidatar a deputada estadual pelo PT-Goiás nas eleições de 2022. “Entro na disputa porque o Executivo goiano vem fazendo tudo para destruir nossa carreira e é preciso mais gente na luta para lutar por nossos direitos,” diz Bia.

Entretanto, a plataforma política de Maria Euzébia de Lima, que gosta muito do seu próprio nome porque homenageia suas duas avós, por nós conhecida como Bia, este apelido afetivo que nos conecta com a menina que começou seus estudos na zona rural de Serranópolis, vai muito além da Educação.

Militante orgânica das lutas antirracista, anti-homofóbica, antiviolência contra a mulher, Bia é também uma contundente defensora dos direitos das pessoas com deficiência, das pessoas idosas, dos animais e da natureza.  E, surpresa para muita gente, no programa de Bia prepondera, com destaque, a defesa da agricultura familiar.

Sim, em sua palestra em Formosa, Bia fez questão de falar sobre sua paixão pela luta do campo. “Sim, sou professora com muito orgulho, mas também sou uma pequena agricultora familiar e disso também me orgulho muito. É lá, na minha rocinha, que eu recarrego as energias para seguir lutando por dias melhores para as pessoas que lutam pela pequena agricultura no campo brasileiro.”

Mãe do artesão Gustavo, militante inconteste da luta democrática, Bia segue sua jornada em defesa de dias melhores para Goiás e para o Brasil. Boa sorte, Bia!

 

 

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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