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CASCAVEL: LINDA DE VIVER!

Cascavel: Linda de viver! 

Por Simone Caldas

Cascavel 2 Simone Caldas

Cascavel (Crotalus durissus).
APA do Planalto Central.
 
Ranking de cobras mais venenosas do Brasil: coral verdadeira vem em primeiro, embora cause apenas 1% dos acidentes; em segundo está a cascavel; em terceiro, a surucucu pico-de-jaca; e, em quarto, a jararaca, responsável por mais de 80% dos acidentes no país.
 
Se estiver no mato e encontrar uma víbora, simplesmente desvie, siga seu caminho e deixe que ela siga o dela. Se for necessário removê-la, o GDF informa que em Brasília os números para pedir resgate são o (61) 3910-1965 ou 190.
 
Nunca tente remover uma víbora se você não tem experiência para fazer isso.
 
Simone Caldas – Jornalista. Texto e Fotos. 
 
Cascavel 1 Simone Caldas
 
 
CONHEÇA CINCO CARACTERÍSTICAS DA CASCAVEL 

Extremamente venenosa, a cobra cascavel é temida em todos lugares em que se encontra, sendo que há várias espécies deste tipo de cobra no mundo. Internacionalmente, ela é conhecida como rattlesnake, como explica a Encyclopædia Britannica – plataforma de conhecimento do Reino Unido.  As diversas espécies de cascavéis são encontradas desde o sul do Canadá até o centro da Argentina, segundo a Britannica, mas são mais abundantes e diversificadas nos desertos do sudoeste dos Estados Unidos e no norte do México. Há, porém, uma única espécie encontrada no Brasil e em alguns outros países da América do Sul, que é a Crotalus durissus.

 
Conheça as principais características da cobra cascavel e o que fazer em caso de picada desta serpente venenosa. 

1. A cascavel tem um chocalho na cauda que é inconfundível

Um dos elementos que faz essa cobra ser facilmente identificada é que a cascavel possui na ponta de sua cauda vários anéis que formam um guizo (que se parece um chocalho). 

Ao ser agitado pela cascavel, ele produz um som inconfundível e o animal usa esse barulho do chocalho como forma de tentar se proteger de seus predadores ou o movimenta quando está irritado, como explica o Instituto Butantan (instituição brasileira de pesquisa científica e produção de imunobiológicos que pertence ao governo do estado de São Paulo e estuda répteis, anfíbios e outros animais desde desde 1901).

 
2. As cascavéis são cobras robustas e possuem diferentes cores

As cobras cascavéis não são as maiores encontradas na natureza e passam longe de ter dimensões tão impressionantes como acontece com a surucucu, a sucuri, a jibóia ou alguns tipos de píton. Porém, elas são robustas e quando adultas as cascavéis podem atingir cerca 2 metros de comprimento, conforme explica a Britannica

Algumas espécies têm marcas como faixas transversais no corpo, quase como listras, mas a maioria das cascavéis têm manchas que se parecem a losangos e hexágonos (ou losangos escuros em um fundo mais claro), geralmente nas cores cinza ou marrom claro. Somente algumas possuem essas manchas em vários tons de laranja, rosa, vermelho ou verde. 

A cascavel encontrada na América do Sul, a Crotalus durissus, tem uma coloração que varia entre o castanho e o acinzentado e é ornamentada com linhas e manchas dorsolaterais em formato de losangos. Suas cores facilitam com que ela se esconda em meio à natureza.

3. A cascavel tem hábitos noturnos

As cascavéis são cobras de hábitos terrestres e noturnos. Elas são do tipo víboras (subfamília Crotalinae da família Viperidae), um grupo que recebeu esse nome devido ao pequeno orifício de detecção de calor entre cada olho e narina, e que ajuda na caça, informa o Butantan. 

Essas fossas proporcionam à serpente uma “visão” estereoscópica do calor, permitindo que ela detecte e atinja com precisão um alvo vivo mesmo estando na escuridão total, como explica a Encyclopædia Britannica

A maioria das espécies de cascavéis são noturnas, escondendo-se durante o dia, mas emergindo à noite ou no pôr do sol para caçar suas presas, sendo que elas costumam se alimentar de  pequenos mamíferos, em especial roedores, mas também de aves e lagartos. 

No Brasil, as cascavéis se encontram presentes em áreas abertas de todas as regiões do país, especialmente as mais secas, com campos abertos e com vegetação rasteira, como áreas do Cerrado e da Caatinga. Além disso, podem ser encontradas em certos tipos de plantação (como a de café e a de cana-de-açúcar), e em pastagens, como explica o Instituto Butantan. 

4. Como a cascavel se acasala e se reproduz

As cascavéis têm uma forma muito própria de acasalamento. Conforme explica o Instituto Butantan, os machos disputam a fêmea por meio de um ritual que se assemelha a uma dança, chamada dança-combate. Os machos ficam emparelhados (às vezes entrelaçados) e tentam abaixar a cabeça do seu oponente por meio de movimentos do corpo, enquanto tentam manter a sua própria cabeça mais erguida. 

Nessa disputa pela fêmea, os animais não se picam nem se ferem. O macho que conseguir manter a sua cabeça mais elevada do que a do oponente ganha e, assim, tenta cortejar a fêmea. O acasalamento ocorre entre o outono e o inverno, e a fêmea dá à luz entre o final do verão e início do outono, com uma média de 14 filhotes por gestação.

5. A cascavel é extremamente venenosa

As cascavéis não são agressivas e não atacam humanos se não forem provocadas; na verdade, elas são bastante tímidas, segundo a Britannica. No entanto, elas  possuem um veneno bastante tóxico e podem ser muito perigosas se incomodadas ou manuseadas. Porque ao se sentirem ameaçadas, elas atacam e picam. 

tipo de veneno da cascavel atinge os músculos e o sistema nervoso. A picada pode causar uma sensação de formigamento, geralmente sem lesão ou inchaço muito evidente. Entre as principais reações, a pessoa pode ter dificuldade de manter os olhos abertos, visão turva ou dupla, dificuldade de fala, dores musculares generalizadas, vômitos, sonolência e urina escura. A picada de uma cascavel é muito dolorosa, e se a cobra tiver mais de 1 metro de comprimento essa mordida pode ser fatal – caso a vítima não receba atendimento médico o mais rápido possível, de acordo com o Instituto Butantan.

As espécies mais perigosas são a cascavel da costa oeste mexicana (Crotalus basiliscus), a cascavel de Mojave (Crotalus scutulatus) e a cascavel sul-americana (Crotalus durissus). É muito importante que a pessoa picada por uma cascavel procure atendimento médico o quanto antes para que receba o tratamento com o soro antiofídico específico (o anticrotálico). No Brasil, a cascavel é responsável por cerca de 10% dos acidentes com cobras anualmente, de acordo com os dados do Butantan.


 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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