CHAPADA DIAMANTINA: A OUTRA BAHIA

CHAPADA DIAMANTINA: A OUTRA BAHIA

Chapada Diamantina: A outra Bahia

A Bahia tem, provavelmente, a mais bela, prolongada e diversificada orla marítima do Brasil, sua atração mais atraente. Mas há outras bahias, talvez menos conhecidas, mas igualmente lindas e agradáveis. É o caso da Chapada Diamantina, uma extensa região protegida por um Parque Nacional e pelas comunidades, que têm no turismo sua principal atividade econômica.

Ali, nos 1.520 Km2 do Parque, há de tudo um pouco.  Mata Atlântica, campos floridos, verdes planícies se encontram e se misturam com pedaços de Cerrado e de Caatinga, por onde transitam espécies de animais raras, como tamanduá-bandeira, tatu-canastra, porco-espinho, gatos selvagens, capivaras e inúmeros tipos de pássaros e cobras.  Paredões, desfiladeiros, cânions, grutas, cavernas, rios e cachoeiras chamam à aventura.

A Serra do Sincorá serve de anteparo aos morros que são as pilastras da Chapada. E estes, por sua vez, abrigam cidades históricas, como Lençóis, Mucugê, Andaraí, Rio de Contas; cachoeiras como a da Fumaça (320 m), do Frade e do Sossego; trilhas fáceis e difíceis, pra caminhadas e ralis; morros emblemáticos, como o do Camelo; muitos hotéis, pousadas e restaurantes; e por aí vai.

A Chapada é bem localizada, ao centro do Estado, mas não muito distante de Salvador, a capital, de Feira de Santana, Vitória da Conquista, que são outras importantes cidades mais próximas do litoral. O acesso é muito fácil, especialmente a Lençóis, a cidade mais visitada, pela sua localização. Mas, lá dentro, por sorte, o quadro muda de figura, e as estradas são mantidas com seu aspecto rural.

O acesso é relativamente fácil, por diversos caminhos. Lençóis, por exemplo, tem voos regulares pra Salvador, a 430 km dali, e outros centros do país. Por terra, há estradas que cortam a Bahia de leste a oeste e passam pela Chapada pelo norte e pelo sul.

São muitos os roteiros e incontáveis as possibilidades.

Vale conferir: http://bahia.com.br

Obs.: publicado originalmente em18 de ago de 2015

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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