Chico Mendes, a voz da floresta

Chico Mendes, a voz da floresta
 
Assassinato de Chico Mendes, há 30 anos, fez mundo enxergar meio ambiente – Reportagem da Rádio Senado conta história do seringueiro do Acre e sua luta internacional contra destruição da Amazônia…
 
via Angela Mendes 
A execução de Chico Mendes completou 30 anos. Ele foi assassinado na virada de 1988 para 1989, em Xapuri (AC), a mando de fazendeiros que se sentiam prejudicados pela campanha do seringueiro contra o desmatamento da Floresta Amazônica. Foi um dos crimes que mais chocaram o mundo na década de 1980.
Ao longo da semana que vem, a Rádio Senado leva ao ar a reportagem especial “Chico Mendes, a voz da floresta”, que apresenta a história do seringueiro e mostra que o legado deixado por ele é sentido até hoje. De acordo com especialistas, foi a repercussão internacional do assassinato que fez o mundo finalmente começar a proteger o meio ambiente.
A reportagem explica de que maneira Chico Mendes deixou de ser um seringueiro comum dos confins da Amazônia e passou a ser o ativista ambiental mais famoso do mundo. Com base em documentos históricos do Arquivo do Senado, também mostra como os senadores da época reagiram ao assassinato.
Para produzir “Chico Mendes, a voz da floresta”, a Rádio Senado entrevistou a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva e a antropóloga Mary Allegretti. As duas foram amigas do seringueiro e atuaram na floresta ao lado dele.

 
     
 
1ª parte
04:34
 
2ª parte
04:22
 
3ª parte
04:52
 
4ª parte
04:49
 
5ª parte
05:42

Fonte: senado.leg

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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