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Ciclo de debates é um marco no processo de construção de uma outra Embrapa

Ciclo de debates é um marco no processo de construção de uma outra Embrapa

Evento, realizado em Campinas, reuniu sindicato, trabalhadoras(es) e gestores da empresa  

O evento que lançou o Ciclo de debates sobre a pesquisa agropecuária pública: da Embrapa que temos à Embrapa que queremos teve no centro das reflexões a necessidade de transformações na atuação da empresa, em várias frentes. Nesse processo, destaca-se a discussão sobre o resgate do caráter público da Embrapa, a contribuição para a consolidação de uma agricultura sustentável, da mitigação das mudanças climáticas, da soberania alimentar e na contribuição mais efetiva no combate à fome. Também foram abordados temas internos como mais diálogo e participação, combate ao assédio moral, recomposição do orçamento e concurso público para ampliação do quadro, entre vários assuntos discutidos ao longo do dia. A iniciativa do evento foi da Seção Sindical Campinas e Jaguariúna do SINPAF e contou com o apoio da Embrapa Agricultura Digital, que sediou o debate realizado na última sexta-feira, 14.

Trabalhadoras(es) de várias Seções Sindicais, de diferentes regiões do país, marcaram presença no lançamento do Ciclo de debates, totalizando 105 pessoas no auditório. A programação contou com duas mesas temáticas, espaços para as(os) participantes fazerem perguntas, manifestações e proposições, e, ao final, planejamento com a participação ativa de todo o coletivo presente na plateia para definição das próximas etapas do Ciclo de debates
 
Na mesa de abertura, o chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Robson de Medeiros Oliveira, deu as boas-vindas a todas(os) as(os) presentes, destacando a importância desse momento para o futuro da Embrapa.
 
Elisiene do Nascimento Lobo (presidenta do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp – STU) chamou a atenção para a importância da presença feminina na luta sindical e da responsabilidade nas ações de cada uma(um) para as transformações necessárias para um Brasil melhor.
 
Dione Melo, secretária-geral do SINPAF, ressaltou a importância desse momento de resgate democrático e destacou o papel da mulher nesse processo.
 
Mário Urchei, diretor de Ciência e Tecnologia do SINPAF e vice-presidente da Seção Sindical Campinas e Jaguariúna, destacou a importância do início desse processo de diálogo democrático, valorizando as(os) trabalhadoras(es).
 
Wilmar Lacerda, chefe de Gabinete da Liderança do PT no Senado e presidente do SINPAF na gestão de 1995 a 1997, destacou o importante processo de mudança em curso na empresa que começou com a nomeação da nova diretoria. E apontou para alguns desafios, como agilidade nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e o fim da perseguição sindical, entre outros.
 
Clenio Nailto Pillon, diretor-executivo de Pesquisa e Inovação da Embrapa enfatizou ser filiado ao SINPAF desde seu primeiro dia de trabalho na empresa e destacou, entre outros temas, a meta de recomposição do orçamento da Embrapa.

Análise do contexto atual e perspectivas da ciência e tecnologia pública

A mesa da manhã teve como foco Análise do contexto atual e perspectivas da ciência e tecnologia pública. Dione Melo falou sobre a crise de legitimidade da ciência e o desafio em dialogar com a sociedade, já que é essa sociedade que, através da escolha de seus representantes por meio do voto, determina questões como investimento em ciência e tecnologia.
 
Na sequência, o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, João Carlos Costa Gomes, abordou o tipo de formação acadêmica na graduação e na pós-graduação. Criticou a pouca relação que há entre a Embrapa e o meio acadêmico, sem deixar de mencionar o que considera exceções, como é o caso do que ocorre em Campinas, com a proximidade com a Unicamp. Citou, entre os desafios para a nova gestão da empresa, a mobilização do quadro interno, a consolidação de uma agenda positiva e as alianças estratégicas.

Renato Dagnino, professor da Unicamp, analisou o processo de especialização do conhecimento. Abordou a apropriação privada do conhecimento e de como o acesso ao conhecimento formal ainda é muito elitizado no país. Mostrou porque o modelo adotado no Brasil não dialoga com a realidade, já que dos 90 mil mestres e doutores formados entre 2006 e 2008, apenas 68 foram contratados por empresas para atuarem em pesquisa. E defendeu como alternativa a tecnociência solidária.
 
Da Embrapa que temos à Embrapa que queremos

A mesa da tarde começou com Mário Urchei reforçando a importância da reabertura do diálogo com as(os) trabalhadoras(es) e os segmentos que demandam a pesquisa agropecuária pública, como agricultoras(es) familiares, povos originários, quilombolas, dentre outros. Em sua fala, elencou uma série de desafios e questionamentos em direção a uma Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva, como, por exemplo, maior controle social, o resgate do caráter público, a diminuição da burocracia, a revisão do Sistema Embrapa de Gestão (SEG), com ênfase para pesquisas em sistemas biodiversos, complexos e de base agroecológica, voltados ao desenvolvimento territorial, a reconstrução da Rede de Agroecologia da Embrapa, a necessidade de implantação de processos democráticos e transparentes na indicação de gestores e maior atuação da empresa em relação à soberania alimentar e ao combate à fome, entre vários outros.

Elisa Vieira Wandelli, pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental, falou sobre importância do papel do sindicato no realinhamento da Embrapa com o desenvolvimento rural sustentável e questionou sobre o Transforma Embrapa, a necessidade de priorização de soluções para a crise climática, para o fortalecimento da agricultura familiar e para a soberania alimentar. Falou da necessidade do fortalecimento do incentivo e condições para a permanência dos jovens no campo e da priorização de uma agricultura familiar de base agroecológica. Elisa integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), instância junto ao governo federal que discute políticas públicas para o desenvolvimento sustentável no país e se colocou à disposição dos trabalhadores e da direção da Embrapa.

Clenio Pillon, que participou do Ciclo de debates representando a presidência da Embrapa, encerrou a segunda mesa chamando a atenção para o simbolismo do evento e a abertura de canais de comunicação com a diretoria da empresa. O diretor-executivo de Pesquisa e Inovação da Embrapa e o chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital acompanharam toda a agenda do evento. “Foi uma experiência fantástica estar aqui”, afirmou Pillon. Ele abordou vários dos questionamentos feitos, inclusive sobre a revisão do processo de indicação das chefias, e reforçou que um dos focos prioritários é trabalhar pela recomposição do orçamento. “R$ 14 milhões ao ano para a pesquisa não é compatível”.
 
Continuidade

A agenda para continuidade do Ciclo de Debates começou a ser discutida e um grupo de trabalho foi formado para a sistematização de temas, sugestões de datas e dos locais de realização das próximas edições, a partir das indicações e manifestações feitas no plenário.

Estiveram representadas no evento as seguintes Seções Sindicais:
Região Norte: Seções Sindicais Roraima e Manaus;
Região Nordeste: Seções Sindicais Aracaju e Cruz das Almas;
Região Centro Oeste: Seções Sindicais Sede, Pantanal, Arroz e Feijão, e Cenargen;
Região Sudeste: Seções Sindicais Agrobiologia e Solos; e
Região Sul: Seção Sindical Pelotas.
 
Cultura popular
O lançamento do Ciclo de debates sobre a pesquisa agropecuária pública: da Embrapa que temos à Embrapa que queremos também foi um momento de valorização da cultura popular. No início do evento, o grupo Flautins Matuá encantou o público com sua riqueza rítmica a partir da sonoridade de seus instrumentos tradicionais. No encerramento, a cantora Andreia Preta e o violeiro Pedro Henrique Gava apresentaram canções de referência da MPB e composições próprias, ligadas à toda a temática abordada no evento.


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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