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Cid admite que joias são de interesse público

Mauro Cid admite, em mensagem, que joias são bens de “interesse público”

Polícia Federal flagrou conversa com Fabio Wajngarten em que ex-ajudante de ordens de Bolsonaro revela saber que os presentes pertenciam a União

Por Portal Vermelho

A Polícia Federal flagrou mensagem do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) com Fabio Wajngarten em que Mauro Cid admite, em 5 de março deste ano, que as joias que membros do governo tentou reaver eram de “interesse público”.

Aas mensagens foram divulgadas pela jornalista Juliana Dal Piva, do UOL, e fazem parte do acervo de mensagens obtidas pela PF, depois da prisão de Mauro Cid e apreensão de seu celular em maio deste ano, na Operação Venire.

O tenente-coronel está preso preventivamente por suspeita de falsificação de cartões de vacinas e é investigado por golpe de estado e venda de joias da Presidência. Wajngarten foi secretário de Comunicação do último governo e integra a defesa de Bolsonaro, mesmo sendo um dos investigados no inquérito.

A conversa em que Cid admite saber do caráter público dos itens ocorreu dois dias depois do Estadão revelar que membros do alto escalão do governo Bolsonaro tentaram entrar ilegalmente com presentes sauditas, em 3 de março.

Cid compartilhou trecho da matéria que revelava itens escondidos na mochila do assessor do ex-ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque. “Eu nunca vi tanta gente ignorante na minha vida”, respondeu Wajngarten.

“Difícil mesmo. O pior é que está tudo documentado”, acrescentou Cid.

Ao decorrer da conversa, o ex-ajudante de ordens compartilha uma imagem da Lei 8.394, de 30 de dezembro de 1991, que trata da preservação, organização e proteção dos acervos documentais privados dos presidentes da República.

Em agosto, a PF revelou suspeitas que Bolsonaro expressou ordens para desviar joias do Acervo da Presidência e, depois de vendidas, recebeu valores em dinheiro vivo.

De acordo com os agentes, o esquema existiu entre 2019 e dezembro de 2022. O grupo operava da seguinte forma: Bolsonaro determinava o desvio das joias do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (que faz parte do Gabinete Pessoal da Presidência), enquanto Mauro Cid e outros militares fazia a remessa e vendas dos itens para os Estados Unidos.

O Gabinete Adjunto é responsável pela análise e definição do destino de presentes oferecidos por autoridade estrangeira ao Presidente, isto é, se o item seguirá para o acervo público ou privado.

“Caramba”

Ainda na mesma conversa, dois dias depois da revelação do escândalo, Cid diz a Wajngarten que a situação aparenta estar mais tranquila. “Parece que hoje deu uma acalmada”, escreve o militar a Wajngarten no início da manhã de 5 de março.

O advogado responde “magina” e encaminha em seguida uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrando o recibo do kit do Rose Gold, que entrou no Brasil sem declaração em outubro de 2021. “Caramba!!”, retruca Mauro Cid.

O ex-ajudante de ordens envia, então, uma cópia do recibo e, às 9:21, responde Wajngarten por áudio: “Esse segundo relógio é o que tá aí. É o mesmo tratamento que seria dado ao primeiro. Foi entregue o relógio e deu entrada no acervo. A mesma coisa que foi feita no primeiro ia ser feita no segundo”, afirma Cid.

Wajngarten pergunta: “Quem entrou com esse? O Bento [Albuquerque]?”. “Não sei”, responde o ex-ajudante de ordens.

Fonte: Portal Vermelho Capa: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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