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Coisas que eu vi!

Coisas que eu vi!

“Eu vi gente comemorar o câncer que Lula enfrentou – e Dilma também.
 Eu vi médico explicar como se poderia matar dona Marisa na mesa de cirurgia.
 Vi posteriormente pessoas comemorando sua morte.
 Vi adesivos obscenos de Dilma em carros de “cidadãos de bem”.
 Vi companheiros apanharem por usarem vermelho no dia do impeachment.
 Vi bonecos de Lula e Dilma enforcados nas manifestações de rua.
 Vi tiros contra os ônibus da caravana do Lula;
 Vi vários vídeos com pedradas contra a caravana do Lula.
 Eu vi o acampamento em Curitiba ser atacado com tiros e vandalismo ferindo companheiros.
 Vi manifestantes sendo xingados e tomando bombas da PM por dar apoio e solidariedade à Lula no momento da prisão.
 Vi crianças serem feridas pela PM no dia da prisão de Lula, simplesmente por estarem ali.
 Vi fogos de artifício no dia da prisão do maior líder popular do país e da América Latina.
 Vi gravações de pilotos que levaram Lula pra prisão em Curitiba, afirmando que tinham que “jogar a carga” fora.
 Vi Marielle Franco, vereadora de esquerda, ser morta a tiros.
 Vi Bolsonaro dedicar seu voto à Brilhante Ustra, torturador de Dilma.
 Vi o Bolsonaro falar que era preciso fuzilar os petistas.
 Vi gente sendo empurrada, xingada, humilhada por estar de vermelho.
 Vi uma médica no RS que se recusou a atender uma criança porque a mãe era figura pública do PT na cidade que morava.
 Eu vi o ódio crescer em todo o país, alimentado pelo Bolsonaro e seus eleitores.”

?Agora não venham me dizer que eu tenho que torcer pro governo do Capiroto ser bom.

?Eu torço pra ser exatamente do jeito que ele disse que será, quero que ele faça tudo que ele prometeu fazer.

?Se você considera que isso é torcer contra o Brasil, então você sabe que você votou contra o Brasil, deveria ter pensado nisso antes.

Autor Desconhecido

Fonte: https://web.facebook.com/

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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