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Coronavírus: Até nos animais?

Coronavírus: Até nos animais?

Tigre de zoológico de Nova York testa positivo para coronavírus

Em comunicado em sua página ontem (05/04), o Bronx Zoo, de Nova York, revelou que um de seus tigres, a fêmea Nadia, de 4 anos, foi diagnosticada com o novo coronavírus, o COVID-19.

Não apenas ela, mas sua irmã, Azul, dois outros tigres da espécie Amur e três leões africanos apresentaram tosse nos últimos dias e provavelmente também estão infectados. Todavia, como para realizar o teste de sangue nesses animais é preciso sedá-los, a equipe do zoológico decidiu submeter apenas um deles, no caso, Nadia, ao procedimento.

“Embora eles tenham tido perda de apetite, os felinos no zoológico do Bronx estão bem, sob cuidados veterinários: alertas e ativos. Não se sabe como essa doença se desenvolverá em grandes felinos, já que diferentes espécies podem reagir de maneira diferente a novas infecções, mas continuaremos a monitorá-las de perto e a antecipar recuperações completas”, informou a Wildlife Conservation Society do Bronx Zoo.

Os veterinários afirmaram que nenhum dos demais felinos do local, como leopardos e guepardos, demonstraram sinais da doença. A administração do zoológico acredita que os animais contaminados foram infectados por uma pessoa que cuidava deles que estava assintomática e mais tarde testou positivo para o coronavírus.

Desde então, entraram em vigor medidas preventivas para evitar o contágio dos animais por funcionários e impedir a exposição ao COVID-19 de qualquer outro felino.

“O COVID-19 é uma doença causada pelo coronavírus conhecido como SARS-CoV-2. Acredita-se que o vírus tenha sido transferido pela primeira vez para pessoas em um mercado de alimentos que comercializa animais silvestres em Wuhan, China. Não há evidências de que os animais desempenhem um papel na transmissão do COVID-19 para outras pessoas além do evento inicial no mercado de Wuhan, e nenhuma evidência de que qualquer pessoa tenha sido infectada pelo COVID-19 nos Estados Unidos por animais, inclusive por animais de estimação. cães ou gatos”, assegurou o Bronx Zoo.

Fonte: Conexão Planeta

conexaoplaneta p 1

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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