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Coronavírus avança sobre populações indígenas do Brasil

Coronavírus avança sobre populações indígenas do Brasil

Com 77 mortes, povos de 34 etnias indígenas já foram atingidos pelo coronavírus no Brasil. 308 indígenas já tiveram covid-19, de acordo com dados da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). Dados atualizados em 13 de maio de 2020.

Por Joana Oliveira/BrasilElPais

Com a expansão da pandemia de coronavírus no Brasil, os povos originários somam seus mortos à lista de vítimas da covid-19 que cresce a cada dia. Já foram registrados 77 óbitos entre povos de 34 etnias indígenas do país —com 308 casos de infecções confirmadas—, de acordo com os números da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

Cerca de 81 mil indígenas de 230 territórios estão ameaçados pelo novo coronavírus, de acordo com esses órgãos. “É assustadora a velocidade com que registramos o aumento de casos de mortes entre os povos indígenas. Em pouco mais de uma semana, identificamos mais 49 óbitos de parentes, chegando à média de quatro mortes de indígenas por dia”, lê-se em nota da APIB.

A etnia mais afetada é a dos Kokama, no Amazonas. Entre os dias 3 e 7 de maio, as mortes por covid-19 dobraram entre essa comunidade, passando de nove para 22 óbitos registrados, de acordo com um relatório da APIB. A etnia também foi a que teve o primeiro caso registrado da doença entre indígenas no Brasil, no dia 25 de março. Já a primeira morte de indígena em decorrência do novo coronavírus contabilizada oficialmente foi a de uma adolescente Yanomami de 15 anos, em Roraima, no dia 10 de abril.

“A covid-19 já matou, só nos últimos dias, 12 parentes kokamas, parentes esses que moram em comunidades. Como não dizer que foi omissão? Nós líderes estamos fazendo a nossa parte, esperamos que nossos governantes façam as partes deles”, denuncia em nota a Associação de Índios Kokamas Residentes no Município de Manaus (AKIM).

De acordo com dados da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), no Amazonas os casos de mortes entre o povo Kokama aconteceram nos municípios de Tabatinga, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, Itacoatiara, Autazes e Manaus. O Estado, um dos mais afetados pela pandemia —soma 14.168 casos do novo coronavírus e 1.098 óbitos, segundo o Ministério da Saúde— já registrou a morte por covid-19 de 43 indígenas de nove povos diferentes.

FILE PHOTO: Yanomami Indians perform a dance at the community of Irotatheri, during a government trip for journalists, in the southern Amazonas state of Venezuela, just 19km (12 miles) from Brazil's border, September 7, 2012. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/File Photo

Outras ameaças

Em meio ao avanço da pandemia entre os povos originários, o Congresso colocou em votação nesta terça-feira a Medida Provisória (MP) 910, que, na prática, regulariza terras ocupadas irregularmente no país. A MP beneficia casos recentes de grilagem, anistiando o crime de invasão de terra pública (e favorecendo sua titulação) àqueles que o praticaram entre o final de 2011 e 2018, além de estimular novas ocupações e desmatamentos ilegais ao reforçar a expectativa de grileiros e posseiros ilegais na Amazônia de que os prazos serão, novamente, no futuro, atualizados pelo governo federal ou Congresso Nacional. Lideranças de partidos como o MDB e o PSL sugeriram que o Congresso deixe deixe de discutir a regularização fundiária por meio da MP e que e trate do tema por meio de um projeto de lei, a ser analisado na semana que vem.

Diversas organizações socioambientais, tais como o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), ISA (Instituto Socioambiental), Greenpeace e WWF-Brasil, além de ex-Ministros do Meio Ambiente, como Sarney Filho, Carlos Minc e Marina Silva, se pronunciaram contrariamente à MP 910. A APIB argumenta que, se aprovada, a medida pode colaborar para o aumento dos casos de morte e contaminação dentro dos territórios indígenas, “pois incentiva o aumento das invasões que viola o isolamento social das comunidades”.

A APIB realizou, nos dias 8 e 9 de maio, a Assembleia Nacional de Resistência Indígena para traçar um plano de enfrentamento da pandemia específico ao contexto dos povos indígenas. “Em tempos de pandemia, a luta e a solidariedade coletiva que reacendeu no mundo só será completa com os povos indígenas, pois a cura estará não apenas no princípio ativo, mas no ativar de nossos princípios humanos”, conclui a nota da associação.

Coronavirus Povos Indígenas

Fonte – Texto e Imagens: Brasil El Pais.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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