DE ÁGUA SOMOS
De água somos.
Por Eduardo Galeano
Da água brotou a vida. Os rios são o sangue que nutre a Terra, e são feitas de água as células que nos pensam, as lágrimas que nos choram e a memória que nos recorda.
A memória nos conta que os desertos de hoje foram os bosques de ontem, e que o mundo seco foi mundo molhado, naqueles remotos tempos em que água e a terra eram de ninguém e eram de todos.
Quem ficou com a água? O macaco que tinha o garrote. O macaco desarmado morreu de uma garrotada. Se não me engano, assim começava o filme 2001 – Uma odisseia no espaço.
Algum tempo depois, no ano de 2009, uma nave espacial descobriu que existe água na Lua. A notícia apressou os planos de conquista.
Pobre Lua.
Eduardo Galeano (1940-2015) – Escritor revolucionário, em Os Filhos dos Dias, editora L&PM, 2ª edição, 2012.
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“A memória guardará o que vale a pena. A memória sabe de mim mais do que eu; e ela não perde o que merece ser salvo.“
Por Pedro Tierra

Foto: PCB
Escreveu livros como a lava dos vulcões. Essa era sua tinta preferida. E com a infinita ternura com que miramos as criaturas sem defesa que o mundo se empenha em esconder… para ser solidário com elas. SAbia que a memória da pele e a memória da alma devem ser cultivadas como centelhas, nas noites escuras, para termos nas mãos com que acender madrugadas…
Nota da Redação: Num dia 13 de abril, no ano de 2015, o grande escritor uruguaio Eduardo Hugles Galeano, nascido em Montevidéu em 03 de setembro de 1940, partiu dos espaços deste mundo. Nossa homenagem, sempre, ao autor de tantas obras gigantescas, formadora de consciências de gerações e gerações. Seguiremos lendo as Memórias do Fogo, seguiremos refletindo sobre as pílulas de memória de “O Filho dos Dias.”
