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De Francisco para Lula: “Estou contente em te ver caminhando pela rua”

De Francisco para Lula:  “Te agradeço por vir, te agradeço muito. Estou contente de te ver caminhando pela rua”, disse o Papa Francisco a Luiz Inácio Lula da Silva durante a visita de Lula ao Vaticano depois de ser libertado das masmorras de Curitiba. 

Na visita ao Papa Francisco, Lula disse as seguintes palavras, conforme vídeo de Ricardo Stuckert:

“Primeiro, Santidade, quero dizer que é um orgulho para mim e para a minha delegação esse encontro. Há muito tempo eu tinha vontade de discutir com o papa a questão da desigualdade e tentar mostrar as experiências bem sucedidas, as políticas de combate à desigualdade e à fome no Brasil.

É preciso fazer uma discussão com todos os governantes e com toda a sociedade para ver se no século XXI a gente acaba com a desigualdade no planeta.

Ela está crescendo, todas as conquistas que tivemos no século XX estão sendo tiradas dos trabalhadores e eu acho que o momento é extraordinário para esse debate que vai acontecer dia 6 e acho que é um movimento extraordinário para que a gente possa fazer em vários outros países debates para discutir a desigualdade do mundo, porque está realmente insuportável, seja a desigualdade econômica, seja o tratamento da questão ambiental, eu acho que a santidade trata esses assuntos em um momento bastante adequado.

Espero que o senhor tenha todo o apoio de toda a gente porque não é um tema fácil, temos muita gente contra, muita gente que não se preocupa com os pobres e esse é um tema que eu quero discutir com muito carinho para lhe contar todas as experiências do que é possível fazer no Brasil e n o mundo inteiro.

Sou muito grato , vim aqui para agradecer e vim também discutir um pouco da desigualdade com o papa”.

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Lula

@LulaOficial

O Papa Francisco disse a Lula que estava contente em vê-lo, que agradecia a visita e, também: “Estou contente de te ver caminhando pela rua.”

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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