Derruba os Vetos, Congresso!

Derruba os Vetos, Congresso!

unnamed 2

Entidades da Civil, Parlamentares, e Campanha SOS Xavante lançam vídeo pela derrubada do veto em Lei que assegura direito dos e

Segmentos representativos da sociedade civil organizada, por iniciativa da Campanha SOS Xavante, em parceria com a Frente Parlamentar Mista em Defesa das Comunidades Quilombolas, a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos e a Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana e a Revista Xapuri lançam, nesta terça-feira (18), o vídeo Derruba os Vetos, Congresso!

O Vídeo, que é narrado pela atriz Lucélia Santos e pelo ator Osmar Prado, faz parte da mobilização pela derrubada dos vetos à Lei 14.021, de 07 de julho de 2020.

A Lei prevê medidas de proteção para comunidades indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais durante a pandemia de coronavírus. Entre os trechos vetados pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), estão o acesso universal a água potável, materiais de higiene, leitos hospitalares e respiradores mecânicos. Ao todo foram vetados 22 itens do aprovado pelo Legislativo em junho de 2020 em caráter de urgência. Os vetos têm previsão de serem apreciados na próxima quarta-feira (19), em Sessão já convocada pelo presidente do .

A transmissão do vídeo com os 22 vetos do presidente Bolsonaro acontecerá simultaneamente nas páginas do Facebook da SOS Xavante, Revista Xapuri, das deputadas Joenia Wapichana (REDE-RR), Erika Kokay (PT-DF) e dos deputados Helder Salomão (PT-ES) e Bira do Pindaré (PSB/MA), às 10h.

Serviço:

Lançamento do vídeo Derruba os Vetos, Congresso!

Data: 18/08/2020

Hora: 21h

Local: Facebook – SOS Xavante, Revista Xapuri, Joenia Wapichana, Erika Kokay, Bira do Pindaré e Helder Salomão

Fonte: Campanha SOS Xavante

[smartslider3 slider=25]

[smartslider3 slider=39]

Deixe seu comentário

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!