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DEUSA HÉCATE: A PRESTIGIADA DO TEMPO

Deusa Hécate: A prestigiada do tempo

Sua figura é sempre de extrema sabedoria e de prestígio, dona de grande honra, de força de luta, de conhecimento por sobre o Tempo. Sua energia se forma por exatos e, por vezes, complexos elementos: glória, poder, bondade, justiça e força.

Por Iêda Vilas-Bôas e Reinaldo Filho Vilas Bôas Bueno

Hécate é aquela que conhece a mais nobre e grande energia, e a mais terrível delas também. Refugiou-se no “Olimpo Luminoso”, de Camões, e nos tecidos escuros de Hades, quando foi necessário. Conhece e tem sabedoria para e por tudo. Não obedece a um arquétipo; ela é a curva, a reta, o oblíquo e o ponto.

Uma grande mãe com o poder lunar do passado, presente, futuro e o prestígio de reger várias esferas de energia. Domina o mal, o bem, o equilíbrio. Está presente, por controlar o tempo: onipresença e onipotência. A ciência também lhe pertence. É a mais forte dos sobreviventes, segundo lendas. A própria mãe-terra segundo vários creem. Dona das linhas de morte-vida. A passagem é dela também. O que não seria?

Essa deusa enfrentou os antigos Titãs, da mitologia grega. Os Titãs reclamaram o poder do Universo para si, e Hécate foi a única que manteve sua autoridade e poder independente. Podemos considerá-la como uma Deusa perfeita e completa. Sua força se estende por terra, mar e submundo, por assim ter percorrido e dominado a tudo, sendo honrada por todas as divindades.

A Deusa Hécate mantinha domínio e conhecimento profundo a respeito do uso de energias de animais, ervas e plantas, inclusive as venenosas. Outro grande poder de Hécate é atuar, com seu poder, na mudança do curso dos rios e prever as trajetórias da lua e das estrelas.

Atualmente, Hécate é reverenciada pelas devotas da seita Wicca, principalmente. Ela é considerada a mãe-bruxa. Justamente por toda sua energia e glória, assim como se dá seu chamado. Ela também é conhecida pelo nome de Deusa das Bruxas ou como Hécate a Deusa Tríplice, Deusa dos Encantamentos, Deusa dos Caminhos e Senhora da Encruzilhada.

Hécate é uma das deusas que simbolizam o sagrado feminino, ela possui a mesma energia da própria Gaya; talvez nomes diferentes para a mesma força feminina de sabedoria, prestígio, poder, criação e glória.

Além disso, é a Deusa Tríplice representada com três corpos ou três cabeças humanas.Cada uma de suas cabeças traz a forte simbologia da lua e dos ciclos da natureza. As luas Crescente, Cheia e Minguante estão presentes em forma de tiaras. Em suas mãos a Deusa carrega um par de tochas, uma chave e uma adaga – seus poderosos símbolos. Ao seu lado, também, carrega uma coruja, a expressão de sua sabedoria, e cães – expressão da lealdade.

A Deusa Hécate representa o caos, a harmonia e todas potencialidades do feminino primário e essencial. Sua forma tríplice simboliza os 3 níveis de entendimento do mundo: o céu, terra e o mundo subterrâneo. Por dominar os elementais da natureza a Deusa Tríplice possui conhecimento do passado, para compreender o presente e prever o futuro.

Na língua grega, Hécate significa “aquela que age como lhe agrada” ou “aquela que fere à vontade”. A Deusa Hécate era tão respeitada por todas as divindades da Grécia antiga que Zeus lhe concedeu o poder de negar ou conceder desejos à humanidade. Ela é lembrada e contada através do tempo pelos seus feitos e seus muitos atributos. Dizem que sua benevolência alcançava a todos que lhe pediam graças e devotavam respeito a ela, colocando estátuas que se assemelhavam a sua aparência e as melhores comidas nas encruzilhadas, em forma de Y para os seus inúmeros cães.

Podemos conhecer Hécate pelas suas boas qualidades: provedora de bens e favores; concessora de prosperidade e abundância; fornecedora do dom da eloquência; orientadora da vitória nas batalhas e nos jogos; e favorecedora da pesca, do plantio e da colheita.

Com o advindo, a dominação e a sustentação do patriarcado na sociedade, a Deusa Hécate, propositalmente, passou a ser reconhecida de maneira negativa. Deram a ela os atributos de encantamentos maléficos e da necromancia. Entretanto, seu culto ultrapassou milênios e ainda hoje pode ser cultuada como a inventora da feitiçaria e da magia.

Há registros de que Medeia foi sacerdotisa de Hécate e que a própria Deusa lhe ensinou a realizar rituais de bruxarias para manipular com habilidade singular ervas mágicas e venenos.

Por vagar à noite pela Terra acompanhada de espíritos e fantasmas, Hécate é também chamada de Deusa dos Encantamentos. Em noites de Lua Nova, ela percorre becos e escuros caminhos com seus cães, recolhendo as almas dos mortos, encaminhando-as para o Mundo Cósmico e, por vezes, surpreendendo viajantes, desavisados de sua existência e muitos bêbados. Porém, através de seus feitiços, raramente a Deusa Hécate se deixa ser vista pelos olhos humanos, mas os latidos de seus cães anunciam sua presença.

A Deusa Hécate é protetora da independência das mulheres e do Sagrado feminino, Deusa das terras selvagens e dos partos. Conhecida, também, por defender mulheres vítimas de violência com a realização de rituais de proteção, afirmação e transformações. É a Deusa que aponta soluções por meio de recomeços. Tem o poder de abrir caminhos, clarear mentes confusas e acalmar corações. A tocha que traz em suas mãos ilumina situações e assuntos escondidos. Hécate faz com que, especialmente as mulheres tomem mais conhecimento de si mesmas e de seus poderes para que possam atuar com sabedoria, na natureza e na sociedade.

Ave, Hécate!

Iêda Vilas-Bôas – Escritora. Reinaldo Filho Vilas Bôas Bueno – Escritor.


 

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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