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É preciso restabelecer a cultura da paz nas escolas e na sociedade

É preciso restabelecer a cultura da paz e a tranquilidade nas escolas e na sociedade

As escolas públicas e privadas de todo o país estão vivendo um clima de tensão e muitas preocupações. Diante dos atuais fatos planejados, quase que simultaneamente, tentativa de pânico e instabilidade da normalidade às crianças, adolescentes e profissionais da educação é necessário restabelecer a ideia de PAZ nas escolas e na sociedade.  Quando a família deixa os seus filhos e filhas no ambiente escolar deve sair com a tranquilidade de que estão seguros e bem cuidados.

Por Iolanda Rocha/Sinpro-DF

A quem interessa este clima de terror e pânico justamente nas escolas, onde quase a totalidade das famílias tem alguma relação, seja com filhos, filhas, netos e netas, da creche até às universidades. Vale ressaltar que esses ameaçadores à nossa paz apresentam um perfil semelhante entre si: são geralmente jovens brancos, do sexo masculino, organizados em redes sociais, utilizam símbolos nazifascistas e agem como se fossem decisões tomadas individualmente.

É fato que alguns casos que ocorreram no Brasil e também em outros países foram relacionados com bullying na escola.  Diferentemente dos últimos acontecimentos, que estão sendo organizados pelas redes sociais.  Sabe-se que investigações estão sendo feitas e que mais de um mil perfis de possíveis criminosos, perturbadores à paz da sociedade já foram retirados de circulação nas redes sociais. Diante desses dados parte-se do princípio de que os atos estão sendo articulados e seguem uma orientação.  De todos os casos de ataques ocorridos às escolas no Brasil desde 2002, mais de 50% ocorreram nos últimos quatro anos.

É papel do estado em nível municipal, estadual e federal descobrir quem são os responsáveis por estes atos criminosos.   O discurso do ódio, a liberação de armas e a construção de mais “escolas” de tiros por ano, do que a construção de escolas para formação do cidadão com direitos e deveres e a formação humana nos últimos quatro anos, evidencia que parte da sociedade estaria alimentando o ódio e a outra parte estaria sendo ameaçada e sofrendo as consequências. Nos EUA foi realizado um levantamento pelo Jornal Washington Post e este mapeou 377 incidentes de ataques às escolas, desde 1999.   Esta cultura do ódio precisa da lugar à Cultura da PAZ e do BEM VIVER.

No estado do Rio Grande do Sul um casal foi detido depois da polícia apreender materiais neonazistas e descobrir que o filho adolescente deste casal planejava um ataque a uma escola de Maquiné no litoral norte do estado.

É importante destacar que a violência que acontece nas escolas, em especial estes fatos recentes são diagnósticos do reflexo do que está acontecendo na sociedade em geral.  Basta dizer que as escolas não estão apartadas do convívio social, pelo contrário, estas são o primeiro contato e a extensão das relações familiares e da sociedade como um todo. Nos últimos anos presenciamos inúmeros incentivos à utilização de armas e consequentemente aumentaram os casos de homicídios, suicídios, de violências domésticas e feminicídio.  

O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Ricardo Cappelli tem feito alertas no sentido de que   “Estas ameaças nas redes contra nossas escolas são movimentos calculados para desestruturar a sociedade” e a sociedade em geral precisa estar atenta a essas ameaças à PAZ e a democracia. 

Para qualquer indício de propagação ao ódio, às armas, e a naturalização da violência por parte de qualquer cidadão ou cidadã é necessário um envolvimento das pessoas nas denúncias para que seja retomada a tranquilidade nos espaços de convívio social, principalmente nas escolas.

 O Ministério Público Federal no estado de São Paulo (MPF-SP) questionou o Twitter sobre quais alternativas estão sendo colocadas em prática pela rede social, para combater postagens de estímulo à violência e atentados em escolas. O Twitter pressionado pela justiça informou posteriormente que derrubou 546 perfis ligados a atentados em escolas.

No final de 2022 um grupo de pesquisadores  e ativistas apresentaram um relatório e “O documento trouxe uma série de questões e, dentre elas, chamou atenção para o fato de que o esforço para solucionar o problema precisa de “uma visão ampla e geral, que considere objetivamente o enfrentamento do extremismo de direita, mas também e das violências que acontecem no cotidiano escolar e que muitas vezes são consideradas banais e secundárias, mas potencialmente perigosas” (Diário do Nordeste).

“É preciso amor pra poder pulsar, é preciso PAZ pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir”.  Com este sentimento poético desta linda canção de Almir Sater, eu quero dizer que é preciso que todas as pessoas, homens e mulheres, crianças, jovens e adultos dialoguem em suas casas, busquem o equilíbrio e a defesa da cultura da PAZ na nossa sociedade. 

Que às escolas desenvolvam projetos para inclusão de todas e todos e que tenham como objetivo a convivência harmoniosa entre os diferentes e a transformação da sociedade de acordo com os princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e a sustentabilidade.

Iolanda capa

 

Iolanda RochaEducadora e Socioambientalista. Fonte: SINPRO-DF. Foto: Freepik. Esta matéria não representa necessariamente a opinião da Revista Xapuri e é de responsabilidade da autora. 

 


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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