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A Educação se move: Por uma escola democrática

A se move: Por uma escola democrática

Educação: “E no entanto se move”, teria, segundo a lenda, murmurado Galileu Galilei após ser obrigado, pela Inquisição do século XVII, a desmentir publicamente o sistema coperniciano, segundo o qual a Terra é que gira em volta do Sol.

Fosse Galileu um professor de ciências em tempos em que delírios terraplanistas assombram a Internet, provavelmente estaria novamente perseguido pelas forças inquisidoras dos que tentam censurar e amordaçar o magistério.

Afinal, engana-se quem pensa que só o pensamento histórico, sociológico ou filosófico se encontra ameaçado por quem se denomina “sem partido” enquanto, na verdade, coloca-se a serviço de um partido — ou um grupo de partidos — ou de uma ideologia — economicamente neoliberal e moralmente conservadora.

A própria discussão científica — incluindo a teoria darwinista da evolução das espécies ou o big bang — é colocada em xeque, sobretudo se confrontada à recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de admitir o ensino religioso confessional das escolas públicas.

Trata-se mesmo de um paradoxo: exigir que o professor seja ideologicamente neutro (como se existisse conhecimento ou ciência neutra), acusando o incentivo ao pensamento crítico de levar à doutrinação, mas, em contrapartida, permitir que as crenças individuais de estudantes sejam sobrepujadas pelo proselitismo religioso de um grupo dominante.

Nesse confronto perde-se também a oportunidade de se avançar em debates imprescindíveis para a sociedade, como o multiculturalismo e a perspectiva de gênero, esta totalmente banida da escola, inclusive nos planos municipais, estaduais e nacional de educação.

“Escola Sem Partido” e “Escola Livre”, os apelidos dados às Leis da Mordaça que tentam implementar no país, são os nomes falaciosos com os quais batizaram uma escola que não se move. Um “ensino” estático, acorrentado, que pouco ou nada tem de educação, uma vez que educação pressupõe, como a Terra de Galileu, movimento: pensamento crítico, questionamento, descoberta.

E, no entanto, se move. A escola se move. A educação se move.

É por essa educação crítica e cidadã que a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee luta e na qual acredita. E é esse o cerne do Projeto de Lei que institui o programa Escola Democrática (PL 2035/16), apresentado por nós na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Além de defender a organização democrática de estudantes, pais, professores e funcionários, a proposta visa a assegurar a livre manifestação do pensamento; o respeito à pluralidade étnica, religiosa, científica, ideológica e política; e a livre manifestação da orientação sexual e da identidade e/ou expressão de gênero, bem como o reconhecimento à igualdade entre os seres humanos e o respeito às diferenças entre os povos, os países, as etnias, as culturas, os gêneros e os comportamentos.

O projeto veda ainda, nas salas de aula e fora delas, em todos os níveis, etapas e modalidades de educação do município de Belo Horizonte, as práticas de quaisquer tipos de censura de natureza política, ideológica, filosófica, artística, religiosa e/ou cultural a estudantes e docentes, ficando garantida a livre expressão de pensamentos e ideias, observados os e fundamentais, os princípios democráticos e os direitos e garantias estabelecidos na Constituição e nos tratados internacionais dos quais o é signatário.

Defender uma escola que se move é defender uma escola liberta do discurso reacionário, antipedagógico e antidemocrático dos que querem impor à educação suas visões discriminatórias, conservadoras e segregacionistas.

Nos movemos contra a intolerância, contra a censura, contra a barbárie, contra a mordaça. Nos movemos em defesa de uma educação voltada para a construção da . Nos movemos: em defesa de uma educação verdadeiramente democrática.

Gilson Reis
Coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee. Vereador em Belo Horizonte – Minas Gerais.


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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