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Em Maceió, famílias são evacuadas na madrugada após risco de colapso de mina da Braskem

Em Maceió, famílias são evacuadas na madrugada após risco de colapso de mina da Braskem

Em 2019, no relatório sobre a instabilidade do solo em Maceió, o Serviço Geológico do Brasil apontou que essa mina já tinha sinais de desabamento.

Por Redação/Mídia Ninja

Uma mina da Braskem no bairro do Mutange, em Maceió (AL), está prestes a entrar em colapso e a Justiça determinou a evacuação imediata dos moradores da região. A Defesa Civil está agora batendo na porta em dezenas de casas do bairro histórico, que sofre os efeitos da extração mineral de sal-gema feita pela empresa. A ação está sendo criticada pelos moradores: “Eles estão chegando de qualquer jeito, não oferecem um lugar seguro para onde devemos ir”. Os alertas sobre o colapso são de 2019.

Desde que a mineração foi apontada como a principal causa das rachaduras que surgiram no solo e em imóveis de cinco bairros de Maceió, um trabalho foi iniciado para fechamento e estabilização de 35 minas na região do Mutange e de Bebedouro após pressão social. Mas novos tremores interromperam este serviço. Parte de Maceió está afundando.

A mina de sal com risco iminente de colapso é a de número 18, situada próximo à lagoa. Em 2019, no relatório sobre a instabilidade do solo em Maceió, o Serviço Geológico do Brasil apontou que essa mina já tinha sinais de desabamento e alertou para a possibilidade de evolução rápida para colapso, mas nada foi feito, de acordo com os moradores.

Existe um canal com atualização em tempo real e em primeira pessoa, mantido por atingidos pela empresa:
https://www.instagram.com/vitimasdabraskem/

“O prefeito João Henrique Caldas (JHC) e a Defesa Civil foram omissos com tudo que vinha acontecendo! A população sempre quis sair e tentar indenização! E eles sempre vinham com projetos mirabolantes pra dizer que ainda havia condições de moradia naqueles lugares, agora quer tirar o povo do dia pra noite?”, afirma Manoel Barros, do movimento Vítimas da Braskem.

Ação da prefeitura criticada

O que era para ter começado a acontecer em 2019, de forma gradual e acertada com a comunidade, está sendo feito quando atingiu o limite, e agora as famílias estão criticando duramente o processo de realocação, que não foi realizado em comum acordo com os moradores.

“A Defesa Civil perdeu a credibilidade junto à população por não ter feito a Realocação das Famílias antes como a própria comunidade do Bom Parto e as demais comunidades da borda: Flexais, Quebradas e Marquês de Abrantes já vinham reivindicando a inclusão no Mapa oficial de criticidade da Defesa Civil pra serem inseridas no Plano de compensação financeira da Braskem. As famílias não aceitam sair de qualquer jeito de suas casas sem uma garantia de reparação. As comunidades exigem tratamento digno, que seja pago o aluguel social, sejam realocadas e devidamente indenizadas”, afirmou o movimento Vítimas da Braskem.

Edição: Cley Medeiros

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Fonte: Mídia Ninja. Foto: reprodução.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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