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“Eu quero é botar o meu bloco na rua”

Eu quero ver meu bloco na rua

“Carnaval chegando e os blocos e bandas começam a ocupar as ruas das cidades distribuindo alegria, tapas e beijos, preconceitos e fobias ao invés de folias. Segue uma lista dos mais famosos para você se organizar”, escreve o chargista Miguel Paiva

Por Miguel Paiva, para o Jornalistas pela Democracia

BLACK BLOCO

O famoso bloco criado em 2013 será homenageado este ano pela Fiesp e pelo MBL. Vão desfilar pela Oscar Freire em São Paulo destruindo vitrines e queimando carros dizendo que foi a esquerda. Depois voltarão para o ostracismo ou olavismo, dependendo do salário, até o próximo carnaval ou golpe de estado.

CONCENTRA RENDA MAS NÃO DISTRIBUI

Bloco que costuma desfilar nas proximidades da Bolsa de Valores de São Paulo e vai até a Avenida Faria Lima. O desfile é acompanhado por vans e carros de apoio com champagne, médicos e massagistas. Uma ala vinda dos EUA sairá fantasiada de Olavo de Carvalho

BOLSOBLOCO E MOROBLOCO- 

São blocos antigos formados depois do golpe de 2016. Às vezes saem juntos, às vezes em horários conflitantes. Muitos figurantes de um deles também desfila pelo outro. Fazem muito alarde mas ambos vêm perdendo simpatizantes nos últimos tempos, pessoas essas que estão migrando para blocos mais divertidos.

DAMARES QUE VÊM PARA O BEM-

Composto por simpatizantes da Ministra Damares e da Secretária Regina Duarte esse bloco faz um trabalho social intenso quando não é carnaval. Promovem cursos de bordados, corte e costura, delícias do lar e regras de um casamento. Durante o carnaval mesmo promovem retiros espirituais bem longe das ruas animadas.

BLOCO PAPAI EU QUERO MAMAR

Desfila em Brasília. É composto pelos filhos do presidente e pelos milhares de amigos e cúmplices. É sempre um desfile violento onde as armas são permitidas mas no final ninguém vai preso. A segurança é feita pelo Escritório do Crime.

REFORMA PREGUIÇOSA

Bloco formado pelos defensores das reformas da Previdência, Tributária e Política. Desfilam lentamente ao som da Marcha Fúnebre e saem de local desconhecido para lugar nenhum. Já disseram que ano que vem não vão mais sair.

AMIGOS DO GUEDES

Um dos blocos mais requisitados e procurados. Como fazem com os abadás na Bahia, neste bloco os ternos Armani, uniforme exigido para o desfile, saem verdadeiras fortunas para quem quer comprar. Um cordão de isolamento feito por policias armados cria um curralzinho vip do vip onde são servidas bebidas e drogas lícitas aos frequentadores. No final do desfile é sorteada uma viagem à Disney para a empregada de um dos foliões.

CORDÃO DA BOLA BRANCA

Tradicional bloco do Centro Financeiro do Rio em resposta aos baderneiros e desordeiros do Bola Preta. Tem pouca tradição mas muito dinheiro. Vestem-se de branco, é claro.

FURO ÍNTIMO

Bloco formado por integrantes da grande imprensa que se negam a tomar uma atitude contra o presidente Bolsonaro. São conservadores, neoliberais, preguiçosos e comodistas. Preferem ouvir Wagner em casa e alegam que não tomam posição por ser uma questão de foro íntimo.

ME AJUDA QUE SOU CINEASTA

Bloco famoso no Rio de Janeiro na época em que cineastas se beijavam. Agora se escondem ou pedem uma ajuda. Desfila na Gávea onde foi criada uma sede alternativa da ANCINE.

BLOCO DA TRETA

Começa inteiro e termina destruído mas todo mundo adora e adere. A treta é generalizada, das marchinhas às fantasias e a multidão, mesmo sabendo que está sendo enganada, continua apoiando.

BLOCO DOS PODEROSOS

Não precisa nem desfilar. Ficam assistindo tudo do alto de suas coberturas ou de seus helicópteros computando o quanto estão ganhando de dinheiro com esta festa dos demônios onde a perversão e o satanismo imperam. No final vão para Paris descansar do dinheiro suado.

GOLDEN SHOWER

Volta a desfilar este ano com a grande vantagem de ser o único bloco a não precisar de banheiro químico nos seus desfiles. Bolsonaro negou que vá comparecer.

VOTA EM MIM QUE SOU DE ESQUERDA

Este é mais um dos blocos que concentra mas ainda não sai. estão discutindo que caminho pegar, que músicas cantar, que cor vai ser a fantasia e quem vai ser o presidente do bloco. Espera-se que decidam antes do carnaval acabar. A galera está louca pra se divertir.

BANDA DOS FUSILEIROS NAVAIS

Está só esperando uma ordem de cima para cair de pau se for o caso. Tocam vários instrumentos além dos musicais e estão prontos para entrar em ação entoando o Hino Nacional.

BLOCO DO AUGUSTO HELENO DE TRÓIA

Esconde um exército no meio do bloco. Não está gostando nada dessa história de democracia. Resta saber se esse bloco vai ter muitas adesões no Congresso.

Fonte: Brasil 247

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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