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Festa do Avante: a força dos comunistas portugueses;

Festa do Avante: a força dos comunistas portugueses

Neste ano, a Festa deu início ao cinquentenário da Revolução dos Cravos, que libertou Portugal de mais de 40 anos da ditadura de António Salazar

Por Artênius Daniel, Tiago Alves/Portal Vermelho

Ao mesmo tempo que a ascensão dos movimentos políticos conservadores e da extrema direita chama atenção na Europa, a força política e organizativa da esquerda portuguesa deu mais uma grande lição ao mundo no último fim de semana, entre os dias 1 e 3 de setembro, com a 47ª edição da Festa do Avante! O tradicional evento, realizado pelo Partido Comunista Português (PCP) é uma demonstração de longevidade e mobilização de camaradas de todas as partes do país, reunindo cultura, política e muita confraternização no tradicional espaço da Quinta da Atalaia, no Seixal. O Portal Vermelho esteve presente ao evento e acompanhou grande parte da sua programação.

Neste ano, a Festa teve uma dimensão especial, pois deu início ao cinquentenário da Revolução dos Cravos, que eclodiu em 25 de abril de 1974 e libertou Portugal de mais de 40 anos da ditadura de António Salazar. Além de promover o encontro da militância portuguesa, o Avante! também é um grande fórum com a participação de partidos e organizações de esquerda de todos os continentes. Mais uma vez, o Brasil ocupou espaço de destaque no evento, com a delegação do PcdoB. Segundo a secretária de Relações Internacionais do Partido, Ana Prestes, o aprendizado nesses três dias de Festa foi único:

“A capacidade partidária na construção de um evento tão grandioso salta aos olhos não apenas por sua dimensão física, pela quantidade de alimentos produzidos, a impressionante lista de atrações ou contingente de pessoas que ao longo de três dias e noites atravessam seus portões, mas pela altivez dos que o dirigem e o fazem sem temer contrariar o pensamento e a prática das elites dominantes”, aponta a secretária. Ela representou o Brasil em dois debates, ao longo do encontro, voltados ao tema das lutas na América Latina. Além disso, o Brasil também esteve representado pelo estande do PcdoB, com comidas típicas, livros, materiais informativos e pela apresentação de importantes artistas brasileiros no palco do evento, como as bandas Francisco El Hombre e Ratos de Porão.

Para Ana Prestes, um dos saldos positivos foi também a troca de conhecimentos e a articulação para a realização do segundo Festival Vermelho no Brasil, evento inspirado no Avante!, realizado pela Fundação Maurício Grabois e PCdoB, que teve sua primeira edição em 2022 e retornará em 2024: “Entrar na Festa é como atravessar um portal para um mundo onde há solidariedade, colaboração, cuidado com as pessoas em toda sua diversidade de cores, origens e idades, propósito transformador, confraternização, diversidade cultural, ócio criativo, reflexão sobre projetos, expressão artística em toda a amplitude possível, partilha de alimentos e extremo respeito mútuo. São dias em que se viv e um outro mundo possível”, afirma. E completa:

“Por fim, A Festa do Avante! 2023 foi também um importante grito pela paz e a busca de diálogo e negociação, em uma Europa tomada por governantes que tentam justificar o projeto de expansão da OTAN, a aposta na guerra e a subserviência aos desígnios hegemonistas dos EUA. A Festa do Avante é fundamental, entre as diversas iniciativas dos povos na luta pela emancipação humana, por seu poder emanado, de modo alegre e transgressor, nos planos imagético, discursivo e prático”.

Nas próximas semanas a Europa terá mais duas festas semelhantes para comunhão e alinhamento das lutas das esquerdas no continente: nos dias 8, 9 e 10 a Manifiesta, realizada na cidade de Ostende, na Bélgica, e nos dias 15, 16 e 17 a grandiosa e tradicional Fête de L’Humanité, em Paris, promovida pelo Partido Comunista Francês (PCF).

Fonte: Portal Vermelho Capa: Reprodução/Redes Sociais do Evento


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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