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Fim do Bolsa Família leva milhares à miséria

Fim do Bolsa Família leva milhares à miséria

Por Vanessa Grazziotin/Portal Vermelho

Os brasileiros vivem dias de grande incerteza com a atual política econômica do governo Bolsonaro. Levantamento publicado nesta segunda (22), pela agência de classificação de risco Austin Rating, mostra que o desemprego no Brasil é o 4º maior entre os 44 países mais ricos do mundo. O país tem duas vezes mais desempregados do que a média mundial e é a pior taxa entre os 20 países mais ricos.
São quase 14 milhões de pessoas sem trabalho, segundo dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Junto com a falta de trabalho vem uma inflação de quase 11% no acumulado dos últimos 12 meses, com maior impacto para as camadas mais pobres da população.
Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o indicador de inflação por faixa de renda confirma que os mais pobres sofrem mais. Para famílias com renda acima de R$ 16.500, a inflação foi de 7,11% nos últimos 12 meses. Para os que ganham abaixo de R$ 1.650,00 por mês, o índice ficou em 10,05%, diferença de quase 30%.
O aumento do gás de cozinha, reajustado 14 vezes nos últimos três anos; da energia elétrica e do preço dos alimentos respondem por esse impacto maior nas camadas mais vulneráveis.
Diante da falta de credibilidade e da incompetência para gerir a economia, o governo Bolsonaro extingue o Bolsa Família e cria o tal Auxilio Brasil, que atende menos pessoas, pois milhares dos que tinham acesso ao Bolsa Família não se enquadram no perfil exigido para o Auxilio Brasil. Além disso, ele só tem validade até o final do próximo ano, sem nenhuma garantia de que existirá depois disso, há muitas incertezas sobre sua viabilidade. É um claro programa eleitoreiro, numa tentativa de se reeleger no próximo ano.
O fim do Bolsa deixou 25 milhões de pessoas sem renda, numa situação desesperadora. Junte-se a isso, o fim do auxílio emergencial, programa que salvou vidas durante a pandemia, graças à atuação do Congresso Nacional. Se dependesse do governo Bolsonaro, ele nunca teria existido. Como as famílias vão sobreviver sem esse dinheiro?
Ao longo de 18 anos de existência, o Bolsa Família foi considerado como um dos melhores no mundo e um modelo a ser replicado em outros países para viabilizar distribuição de renda.
No seu último mês, o Bolsa Família atendeu 14,84 milhões de beneficiários. Entre 2001 e 2015, o Bolsa Família foi responsável por uma redução de 10% da desigualdade no país.
O programa Auxílio Brasil depende da aprovação da PEC dos Precatórios. Aprovada em dois turnos na Câmara, essa PEC enfrenta mais resistência no Senado, ambiente menos dependente das emendas federais. Se não conseguir sua aprovação, o máximo que o governo pretender fazer é prorrogar o auxílio emergencial de R$ 220,00 por mais um ano. 
Podemos viver no próximo período, uma séria situação de miséria extrema para milhões de pessoas desassistidas.
Não acreditamos que o governo Bolsonaro vá seguir por outro caminho e olhar para os mais pobres. Por isso, é fundamental tirar Bolsonaro da cadeira de presidente, para evitar que milhões de brasileiros morram de fome e a economia alcance o fundo do poço.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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