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Frei Sérgio: Negou a vacina, agora nega comida

Frei Sérgio: Negou a vacina, agora nega comida

Frei Sérgio: Negou a vacina, agora nega comida

A causa real da fome é o total desprezo de Bolsonaro pelos que produzem alimentos para o mercado interno…

Por Frei Sérgio Antônio Görgen

O aumento da fome e a inflação dos alimentos no Brasil são consequências de uma mesma causa: a baixa oferta de alimentos no mercado interno nacional.

É o que os especialistas da economia agrícola convencional chamam de “choque de oferta”, quer dizer, pouco alimento à disposição dos consumidores. Pela lei de mercado, quando tem baixa oferta e alta procura, os preços sobem. Quando os preços sobem, compra quem tem dinheiro e os mais pobres passam fome.

Claro que o desemprego e a falta de renda para grandes maiorias têm grande impacto também. Mas se tivesse maior poder de compra com baixa oferta, a inflação da comida seria ainda maior.

O problema de fundo é outro. Porque tem baixa oferta de produtos de consumo popular?

Os economistas do “choque de oferta”, liberais conservadores alinhados ao agronegócio, já estão começando a esboçar explicações para as causas desta baixa oferta: pandemia, estiagens e dólar alto.

Ora, a explicação da estiagem e da pandemia não se sustenta quando alardeiam a maior safra de soja da história do país. Então a pandemia e a estiagem impediram a produção de feijão, arroz, mandioca, batata, leite, hortigranjeiros, frutas e não na produção de soja?

Estiagem teve impacto, sim. Mas em parte. Câmbio (dólar) alto é uma consequência a mais da desastrada política econômica do Guedes.

Então, a causa real é a política do governo Bolsonaro de total desprezo pelos que produzem alimentos para o mercado interno: os camponeses, agricultores familiares, pequenos produtores, pouco importa a denominação. Foram abandonados pelo Estado brasileiro, que destruiu as políticas de apoio a este enorme grupo social e ao seu denodado trabalho de produzir o que enche de fartura as mesas do provo.

Jogados à lógica da concorrência desleal de mercado – Bolsonaro, Guedes e Tereza Cristina – fizeram com que suas terras e seus esforços fossem tragados pelo cultivo da soja com altos ganhos no mercado internacional e dólar alto. Só ação decisiva do Estado evitaria este desequilíbrio. Fez o contrário: expandiu da soja.

Os Movimentos Sociais do Campo e da Cidade – percebendo os efeitos e as consequências desta política desastrosa – propuseram uma proposta modesta para amenizar os efeitos desta política de desgraça, uma lei para estimular a produção de alimentos com fomento, crédito de emergência, aquisição de alimentos para doação, equação do endividamento e assistência técnica. Foi batizada de lei Assis Carvalho e aprovada com ampla maioria na Câmara e no Senado.

Bolsonaro vetou.

Novo Projeto de Lei, com conteúdo semelhante, foi apresentado este ano e está com prioridade de votação na Câmara. Governo Bolsonaro vai votar contra e se for aprovado, veta de novo.

Então está claro: Bolsonaro quer a fome e a careza dos alimentos.

Fome e corrosão do poder de compra do salário para milhões de famílias.

Negou vacina, agora nega comida.

Genocídio duplo. Negação da vacina tira a vida de idosos. Fome mata crianças.

*Frei Franciscano, militante do MPA e autor de “Agricultura Camponesa Familiar: Indispensável Para Reconstruir o Brasil”

 

Fonte: Brasil de Fato

[authorbox authorid=”” title=”Sobre o Autor”]


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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