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Friedrich Engels: A genialidade de um senhor de 203 anos

Friedrich Engels: A genialidade de um senhor de 203 anos

Engels nasceu em 28 de novembro de 1820 e tinha apenas 22 anos quando conheceu Marx. Em 1844, escreveu seu “Esboço para uma crítica da economia política”

Por Theófilo Rodrigues

Em 1905, Paul Lafargue publicou na Die Neue Zeit – revista da socialdemocracia alemã – um interessante texto sobre as memórias que guardava de Friedrich Engels. Nessas recordações, o genro de Karl Marx registrou que “Marx não deixava de se admirar dos conhecimentos universais de Engels, a extraordinária agilidade de sua inteligência que lhe permitia passar facilmente de um tema a outro”. Dizia ainda Lafargue: “Engels amava o estudo por ele mesmo: ele se interessava por todos os domínios do conhecimento” (1).

Engels nasceu em 28 de novembro de 1820. Tinha, portanto, apenas 22 anos quando conheceu Marx rapidamente na redação da Gazeta Renana em 1842. Dois anos depois, em 1844, escreveu seu Esboço para uma crítica da economia política, texto que foi publicado por Marx nos Anais Franco-Alemães. Marx descreveu anos mais tarde esse texto de Engels como um “genial esboço de uma crítica das categorias econômicas” (2). Engels era um gênio da economia.

Com 25 anos, em 1845, foi a vez de publicar A situação a classe trabalhadora na Inglaterra. Esse clássico da literatura marxista mostra em detalhes os efeitos cruéis do desenvolvimento industrial capitalista sobre os trabalhadores e as trabalhadoras de Manchester. Trata-se de um trabalho pioneiro de sociologia urbana, de sociologia do trabalho e de etnografia. Engels era um gênio da sociologia e da antropologia.

Leia também: 40 Anos das Diretas Já: A resistência que moldou a democracia

Em 1847, quando ainda tinha 27 anos, Engels formulou os Princípios do comunismo. Esse texto foi a base para o Manifesto Comunista que viria a ser escrito em parceria com Marx no ano seguinte. Engels era um gênio do movimento comunista.

Ao completar 30 anos de idade, em 1850, dedicou-se a escrever As guerras camponesas na Alemanha. A partir de uma análise das revoltas alemães do século XVI, Engels estabeleceu de modo muito original algumas relações entre as religiões e as classes sociais. Engels era um gênio da sociologia da religião.

No campo da filosofia e das ciências da natureza o revolucionário também deixou suas marcas, em particular em obras como Dialética da natureza e Anti-Duhring. Engels era um gênio da filosofia e da física.

Sua obra de maturidade, A origem da família, da propriedade privada e do Estado, publicada em 1884, pode ser lida ao lado de clássicos da teoria política como Hobbes, Locke e Rousseau, bem como pela sociologia de gênero contemporânea. Pois Engels era um gênio da teoria do Estado e da sociologia de gênero.

Nesses anos finais de vida, escreveu em parceria com Karl Kautsky o ensaio O socialismo jurídico, texto clássico da teoria marxista em que estabelece a relação entre o direito e o capitalismo. Pois Engels era também um gênio da teoria marxista do direito.

Mas Engels não era só um genial teórico. Ele participou ativamente da 1ª. Internacional ao lado de Marx, em particular após 1870. Após a morte de Marx, coube a ele a iniciativa de organizar a 2ª. Internacional em 1889, no ano das comemorações do centenário da Revolução Francesa. Engels era um genial político.

Engels faleceu em 5 de agosto de 1895. Naquela ocasião, o jovem Vladimir Ilitch Lenin redigiu um obituário sobre a morte do fundador do marxismo. Nas palavras de Lênin, “Engels foi o mais notável sábio e mestre do proletariado contemporâneo em todo o mundo civilizado” (3). Reconhecer a genialidade desse senhor de 203 anos é manter vivo o seu legado.

Theófilo Rodrigues é cientista político com pós-doutorado em ciências sociais realizado na UERJ. Autor de Engels 200 anos: ensaios de teoria social e política (Anita Garibaldi, 2020).

Notas:

1 – LAFARGUE, Paul. Recordações pessoais sobre Friedrich Engels. Disponível em: https://grabois.org.br/2023/11/28/paul-lafargue-recordacoes-pessoais-sobre-friedrich-engels/

2 – MARX, Karl. Prefácio à Crítica da economia política. In: MARX, Karl. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 130.

3 – LENIN, Vladimir Ilitch. Friedrich Engels. Disponível em: https://grabois.org.br/2023/08/04/a-morte-de-friedrich-engels-nas-palavras-de-lenin/

Fonte: Portal Vermelho Capa: Reprodução


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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