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Galileu: "E no entanto, ela (a Terra) gira"

Galileu: “E no entanto, ela (a Terra) gira”

Galileu: “E no entanto, ela (a Terra) gira”

Durante a Idade Média, astrônomos como Galileu e Copérnico desafiaram a crença de que a Terra fosse o centro do universo, contrariando a interpretação que a Igreja fazia dos textos sagrados…

Da Revista Terra

Isso bastava para anular a infalibilidade da instituição, baseada no dogma e na fé, não no conhecimento empírico. 

Galileu foi obrigado a se retratar diante de um tribunal da Inquisição. É famosa a frase atribuída a ele logo após negar seus estudos e conclusões diante dos juízes da fé: “e no entanto, ela (a Terra) gira)“.

Galileu Galilei –  O astrônomo e físico italiano Galileu Galilei (1564 – 1642) foi o primeiro a observar o céu com o auxílio de um telescópio (século XVIII). Foi ele quem identificou as fases de Vênus e os satélites de Júpiter.

Nicolau Copérnico – Copérnico (1473 – 1543) provocou uma revolução no pensamento ocidental ao afirmar que a Terra girava em torno do sol: o homem deixava de ser o centro do universo.

Tales de Mileto – Tudo indica que os egípcios, os chineses e os babilônios foram os primeiros povos a observar o céu sistematicamente. No entanto, foi o filósofo grego Tales de Mileto (640 – 560 A.C.) quem deu início às observações astronômicas científicas. Atribui-se a ele a previsão de um eclipses solar em 585 A.C. 

Fonte: Revista Nossa Terra – Uma viagem às origens da vida. Fundação Elias Mansour/Biblioteca da Floresta – Maio 2010. 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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