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Iara, Uiara, Y-îara: A lenda da sereia das águas

Iara, Uiara, Y-îara: A lenda da sereia das águas

A sereia Iara, Uiara, ou Mãe-d’água, entidade do folclore conhecida em várias regiões brasileiras, é descrita como metade mulher, metade peixe…

Por Zezé Weiss

Moça belíssima, costuma enfeitiçar e atrair os homens para o fundo das águas. Poucos escapam do encantamento dela.  E, os que sobrevivem, ficam loucos. A cura só pode ser feita por um pajé ou por uma benzedeira.

Segundo relato de Marina Martinez no site infoescola.com, Iara era uma índia muito trabalhadora e corajosa, filha de um pajé que a admirava e respeitava. Tomados pela inveja, seus irmãos homens tentaram matá-la.

Mas foi Iara quem, mais forte, acabou matando os irmãos e saindo viva da emboscada. Com medo da ira das pessoas da aldeia e de seu pai, Iara fugiu para a floresta. Não adiantou, foi encontrada e jogada no encontro das águas dos rios Negro e Solimões, onde se forma o Rio Amazonas.

O corpo de Iara foi trazido à superfície pelos peixes e, sob o reflexo da lua cheia, transformou-se em uma linda sereia de cabelos longos e olhos verdes. Desde então, Iara permanece nas águas, vingando-se dos homens.

Para atraí-los, canta lindas canções, troca de escamas a cada fase da lua e deita-se nos bancos de areia dos rios, brincando com os peixes. É o que diz a lenda.

A IARA DE CASTRO ALVES
O poeta parnasiano Olavo Bilac dedicou à Iara um de seus belos poemas:

A IARA
Olavo Bilac

Vive dentro de mim, como num rio,
Uma linda mulher, esquiva e rara,
Num borbulhar de argênteos flocos, lara
De cabeleira de ouro e corpo frio.

Entre as ninféias a namoro e espio:
E ela, do espelho móbil da onda clara,
Com os verdes olhos úmidos me encara,
E oferece-me o seio alvo e macio.

Precipito-me, no ímpeto de esposo,
Na desesperação da glória suma,
Para a estreitar, louco de orgulho e gozo…

Mas nos meus braços a ilusão se esfuma:
E a mãe-d′água, exalando um ai piedoso,
Desfaz-se em mortas pérolas de espuma.

Zezé Weiss – Jornalista. Texto editado com base em pesquisa realizada via Internet. 


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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