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Instituições Católicas desinvestem em combustíveis fósseis

Instituições Católicas desinvestem em combustíveis fósseis


Caritas Internationalis, bancos católicos avaliados em 7.5 bilhões de euros, dioceses e outras entidades retiram seus investimentos em formas de energia que provocam

Caritas Internationalis, três dos principais Bancos católicos com capital de aproximadamente 7.5 bilhões de euros, diversas dioceses e uma coalizão internacional de instituições Católicas anunciaram hoje o desinvestimento em combustíveis fósseis.

Devido ao vínculo direto dessas instituições com a hierarquia do Vaticano e o tamanho considerável de seus investimentos institucionais, esse anúncio revela uma nova força no movimento em favor do desinvestimento dentro da Igreja Católica.

Caritas Internationalis, organização de ajuda humanitária, é uma instituição oficial da Igreja Católica. Seu presidente, Cardeal Luis Tagle disse: “Os pobres estão sofrendo muito com a e os combustíveis fósseis estão entre os principais propulsores dessa injustiça. É por isso que a Caritas Internationalis decidiu não investir mais em combustíveis fósseis. Encorajamos nossas organizações membros e outros grupos ou organizações ligadas à Igreja a fazer o mesmo.”

A decisão da Caritas Internationalis pelo desinvestimento veio acompanhada dos principais bancos Católicos, que também estão desinvestindo nos combustíveis fósseis, a fim de oferecer opções responsáveis aos investidores institucionais Católicos e combater as mudanças climáticas. O Pax Bank, Bank Im Bistum Essen eG e Steyler Ethik Bank estão entre as instituições que anunciaram o desinvestimento hoje. No total, essas instituições financeiras controlam um patrimônio de aproximadamente 7.5 bilhões de euros.

A crescente força do movimento contra os combustíveis fósseis tem sido cada vez mais influenciada pelos maiores oficiais da Igreja, incluindo os bispos. A arquidiocese de Luxemburgo, a arquidiocese de Salerno-Campagna-Acerno (Itália) e a diocese da Communauté Mission de France anunciaram hoje o desinvestimento em combustíveis fósseis.

Jean-Claude Hollerich, Arcebispo de Luxemburgo, disse: “Junto com nossos irmãos e irmãs na Igreja, nós, os bispos, estamos cada vez mais comprometidos em tomar decisões financeiras que estejam alinhadas com nossos valores morais. O desinvestimento é um importante caminho para a Igreja mostrar liderança no contexto de um clima em mudança. Louvado sejas para todos aqueles que servem ‘os menores', protegendo o .” O arcebispo Hollerich também está a serviço como presidente da COMECE, a comunidade de bispos que monitora as políticas na União Européia, e presidente da da Europa, uma rede de 31 comissões de justiça e paz das conferências episcopais.

Em conjunto, a ação da Caritas Internationalis, bancos e bispos, representa um compromisso significativo de dentro da Igreja para manter os combustíveis fósseis no solo. Após longas décadas de ensino da Igreja sobre as mudanças climáticas, essas e outras instituições estão colocando em prática os ensinamentos que tanto pregam.

A coalizão completa que anuncia seu desinvestimento hoje, no Dia da Terra, é composta por ordens religiosas, organizações leigas e movimentos em favor da justiça social de quatro continentes. Esse grupo de 35 membros se soma às 60 organizações Católicas que já haviam optado pelo desinvestimento anteriormente. A lista completa das instituições que estão anunciando este desinvestimento encontra-se aqui, incluindo informações sobre o tipo de desinvestimento, declarações e contatos de imprensa de organizações selecionadas.

A iniciativa coincide com o apelo do Papa Francisco para o estabelecimento de práticas financeiras moralmente sólidas. O Papa dedicou o mês de abril a orações pela economia, pedindo que rezemos “para que os responsáveis pelo planejamento e pela gestão da economia tenham a coragem de rejeitar uma economia de exclusão e saibam abrir novos caminhos” com a publicação de um vídeo, disponível aqui.

Em reação a esta notícia, John O'Shaughnessy, fundador do Catholic Impact Investing Collaborative, um grupo de instituições Católicas que gerencia coletivamente mais de 50 bilhões de dólares em ativos, disse: “O desinvestimento nos combustíveis fósseis envia um sinal importante. As instituições financeiras estão muito cientes de que esses investimentos não são sustentáveis e que, na verdade, causam dano a longo prazo a seus investidores e à ampla comunidade. Cada vez mais, gestores financeiros com sabedoria estão abandonando as formas de energia suja rumo a um futuro limpo e sustentável”.

Este compromisso conjunto da Igreja Católica para desinvestir nos combustíveis fósseis foi coordenado pelo Movimento Católico Global pelo Clima, que também está anunciando seu desinvestimento hoje. Tomás Insua, seu diretor executivo, disse: “Quando se trata de proteger a nossa casa comum, não temos tempo a perder. O desinvestimento nos combustíveis fósseis é muito importante para diminuir a taxa de emissões a curto prazo. Estamos gratos em participar do movimento crescente das instituições Católicas, abandonando a energia suja para cuidarmos melhor da criação. A liderança da Igreja nessa questão nunca foi tão importante”.

O Movimento Católico Global pelo Clima é uma organização internacional composta por mais de 650 organizações e milhares de Católicos que responderam ao chamado do Papa Francisco para proteger a nossa casa comum.

RECURSOS ADICIONAIS

  • Materiais para redes sociais aqui.
  • Um vídeo para redes sociais, produzido por “Years of Living Dangerously“, estará disponível no dia 23 de abril em inglês, espanhol, português e francês. Por favor, entre em contato com reba@catholicclimatemovement.global para receber o link.
  • A lista completa das instituições que estão anunciando este desinvestimento encontra-se aqui, incluindo informações sobre o tipo de desinvestimento, declarações e contatos de imprensa de organizações selecionadas.

 

ANOTE AÍ:

Matéria enviada por Rita Silva da Aviv Comunicação: www.aviv.com.br 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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