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Jandaia, Griguilim, Guinguirra, Grengueu: O periquito-da-caatinga

Jandaia, Griguilim, Guinguirra, Grengueu: O periquito-da-caatinga

O periquito-da-caatinga (Eupsittula cactorum Kuhl), dependendo da região do Brasil, é conhecido por diversos nomes comuns como jandaia, gangarra, griguilim, guinguirra ou grengueu. Quando adulto, mede cerca de 25 cm e pesa em torno de 120 gramas…

Por Eduardo Henrique 

É facilmente distinguível pelas cores de sua plumagem, sendo verde-acastanhado e amarelo na parte ventral e verde intenso na parte dorsal, com as pontas das asas e da cauda azuis. Os casais costumam construir os ninhos em cupinzeiros arborícolas ativos.

Através da construção de um túnel discreto, conseguem acesso ao interior do cupinzeiro, onde constroem uma câmara espaçosa para postura. Geralmente são colocados nove ovos e incubados por 25 dias. Nesse processo, o que mais chama a atenção é a boa convivência entre cupins e periquitos.

A distribuição geográfica dessa espécie ocorre principalmente nos biomas Caatinga e Cerrado. Nessas regiões, o hábito alimentar dessas aves faz delas importantes dispersoras de sementes, pois costumam se alimentar de diversos frutos, brotos e sementes.

Pode-se destacar a importância na dispersão de sementes do umbuzeiro (Spondias tuberosa Arruda), oiticica (Licania rigida Benth) e carnaúba (Copernicia prunifera (Mill.) H.E.Moore), todas endêmicas do Brasil. Além disso, dispersam sementes de diversas cactáceas e espécies comuns da flora de mata ciliares, a exemplo do trapiazeiro (Crateva tapia L.).

Referência: http://www.wikiaves.com.br/periquito-da-caatinga
Fotos: Eduardo Henrique
Eduardo Henrique de Sá Júnior – Estudante de Agronomia na UFRPE. Administrador da página Viva Caatinga. Fotógrafo da natureza.


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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