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Jovem cria dispositivo para retirar microplásticos do oceano

Jovem cria dispositivo que pode ser acoplado a qualquer embarcação para retirar microplásticos do oceano

Os microplásticos, que medem milímetros, representam hoje um dos principais desafios ambientais do mundo. Segundo estudos recentes, já são mais de 50 trilhões de partículas desse tipo de plástico, em sua maioria invisíveis a olho nu, flutuando nos oceanos. Um problema e tanto!

Por Débora Spitzcovsky/ The Green Post

Por outro lado, o que também flutua em imensa quantidade nos oceanos são… embarcações! Então, por que não desenvolver uma inovação que garanta que todas elas possam, juntas, ajudar no combate à poluição de microplásticos, enquanto navegam mundo afora?

Essa foi a grande sacada de Matteo Brasili. Formado em Design de Produtos, o jovem italiano, aos 25 anos, inventou um dispositivo que filtra microplásticos da água e pode ser acoplado a qualquer tipo de embarcação por meio de cordas. O Cloud of the Sea, como foi batizada a inovação, tem formato parecido com o de uma concha, pensado com muito cuidado para não comprometer em nada a performance dos barcos na água.

Em seu interior, o produto possui um filtro giratório, em formato de hélice, que vai ficando mais estreito a medida em que se aproxima de seu núcleo central. Na prática, significa que os microplásticos passam pelo filtro de entrada, mas não conseguem mais sair do dispositivo, a medida em que ele vai afunilando, ficando então retidos em um compartimento específico do Cloud of the Sea.

Atualmente, o produto – que demorou cerca de 1 ano para ter um protótipo pronto – é feito de plástico de milho, mas no futuro Matteo quer aprimorar a inovação, pra que seja feita com os próprios microplásticos que filtra dos oceanos.

O designer venceu a edição italiana de 2020 do famoso prêmio internacional de Design James Dyson e, como reconhecimento, já teve inclusive sua invenção exposta por uma semana no famoso Museo Leonardo Da Vinci, no coração de Roma.

Débora Spitzcovsky – Jornalista. Fonte: The Green Post. Foto: Arquivo/The Green Post. Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade do autor.
 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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