vaqueiro misterioso

A LENDA DO VAQUEIRO MISTERIOSO

A lenda do Vaqueiro Misterioso

Diz a lenda que em todos os locais dos onde acontecem as famosas “Festas do Peão”, do nada, sempre aparece um vaqueiro vestido com um velho e surrado gibão de couro. Com seu jeitão bem jeca, o vaqueiro misterioso completa o vestuário com um imenso chapéu de palha, que lhe cobre praticamente todo o rosto.

Por sua aparência de gente muito humilde, o vaqueiro nunca é levado a sério e às vezes torna-se alvo de piada entre os demais vaqueiros. Mas quando entra no picadeiro, tudo muda. Como em um passe de mágica, ele domina a montaria e vence todas as disputas.

Aclamado pelas multidões, o vaqueiro passa então a ser respeitado por seus pares, admirado pelas mulheres e convidado de honra da organização de todas as festas. Mas, surpreendentemente, o grande e genial vaqueiro recusa todas as honrarias e, assim como chegou, desaparece sem deixar nem nem rastro.

NOTA: Para o grande folclorista brasileiro Luís da Câmara Cascudo (1898 – 1986) a lenda do vaqueiro misterioso “é um símbolo da velha profissão heroica, sem registros e sem prêmios, contando-se as vitórias anônimas superiores às derrotas assistidas pelas serras, grotões e várzeas, testemunhas que nunca prestarão depoimento para esclarecer o fim terrível daqueles que vivem correndo atrás da .”

A LENDA DO VAQUEIRO MISTERIOSO
Canindé Soares/Fazenda Boqueirão

Vaqueiro nordestino

Vaqueiro nordestino carrega a força do sertão e é comemorado no dia 19 de julho. A história do vaqueiro começou quando o Brasil era colônia de Portugal.
Em 1534 chegaram as primeiras cabeças de gado, vindas da Ilha de Cabo Verde, África. Como as terras eram muito extensas, e o rebanho precisava dos pastos, era preciso alguém que cuidasse dos , no caso os vaqueiros. Portanto, o vaqueiro é um tipo étnico que vem do contato do colonizador com o índio, durante a penetração do gado nos sertões do brasileiro. Habitam a região da uma área de clima semi árido, que ocupa praticamente todo o Nordeste.
Trabalham como no século XVII. Desde aprendem a correr atrás e laçar os bois no curral. Vão “aboiando”, tocando a boiada entoando o aboio, um canto sem palavras, típico dos vaqueiros, que cantam quando conduzem seus bois para o pasto ou curral. Eles aboiam também quando precisam orientar o gado que se perde na serra, ou se extravia numa caatinga.
Quando um boi se desgarra, foge, eles saem como um raio, por entre a paisagem seca, passando por galhos, pontas de pau e espinhos dos cactos. É a pega de boi. Neste momento, o vaqueiro corre o risco de se ferir na vegetação. E para que isso não aconteça, ele aprende a desenvolver técnicas de se safar dos galhos, utilizadas com muita maestria e habilidade.
Por isso o vaqueiro precisa de uma roupa especial, que funcione como uma armadura ou couraça, o que acaba se tornado sua segunda pele.

Roupas do vaqueiro nordestino

A LENDA DO VAQUEIRO MISTERIOSO
Fazenda Boqueirão

Sua vestimenta é caracterizada pela predominância do couro cru, onde ainda hoje se utilizam processos primitivos para a curtição, o que o deixa com uma cor ferrugem, flexível e macio.
O vaqueiro se orgulha de vestir sua roupa de couro, principalmente quando participam das cavalgadas e manifestações culturais, onde desfilam seus trajes típicos sobre seus cavalos, ao lado de bois, tocando o  berrante.
As roupas típicas dos vaqueiros são compostas pelas guardas, ou perneiras, uma calça de couro que vai sobre outra calça mais fina, trançadas por trás, sendo amarradas na frente, e que têm o objetivo de proteger as penas contra os espinhos abundante na flora da região, deixando o do vaqueiro com liberdade de movimentos para cavalgar ou mesmo se safar dos galhos.
Os sapatos têm o nome de alpercata ou usa-se as botinas de couro, fortes e firmes; as esporas fazem parte do traje e têm a função de instigar os cavalos para correrem; um chicote de couro, significando que estão sempre prontos para montar a qualquer momento e o guarda-peito, parapeito, ou peitoral, preso por uma espécie de alça que passa pelo pescoço e protege o peito do vaqueiro contra espinhos que se localizam na parte alta as , bem como eventuais pancadas no peito.
Muito importante em sua vestimenta é o gibão, um casaco de couro que tem a finalidade de proteger o vaqueiro nos braços e nas costas contra pancadas dos galhos de árvores.
Há também as luvas de couro, que são amarradas no pulso, e protegem as costas das mãos, deixando as palmas e os dedos livres para o .
O chapéu, típico nordestino, também em couro forte, protege o vaqueiro do sol, dos espinhos e galhos da caatinga. Também podem ser usados para beber água ou comer. Suas roupas são ricamente recortadas e bordadas.
Outro aparato típico é a sela, muitas vezes herdadas de pai, avô e bisavô.

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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