LUDHMILA RECUSA CONVITE DO NEGACIONISTA

LUDHMILA RECUSA CONVITE DO NEGACIONISTA

Ludhmilla recusa convite do negacionista

Era de se esperar. Depois dos vais-e-vens do final de semana, as entrevistas da Dra Ludhmila Hajjar nos meios de comunicação nacional, na tarde desta segunda-feira, 15 de março, não deixa dúvidas quanto ao futuro da Saúde no Brasil: continuamos despencando!

Por Zezé Weiss 

A ciência e o negacionismo jamais andarão juntos” – Ludhmilla Hajjar

Convidada pelo inominável que ocupa o cargo de presidente  para chefiar a pasta da Saúde, ao recusar o convite, os depoimentos da Dra Luhdmila Hajjar são estarrecedores. Para a primeira entrevista, como “banca examinadora” o inominável levou  dois técnicos da área: o ministro inoperante e o próprio filho.

Pergunta que não tem como ser calada: como é que pode, num regime republicano, decisões sobre a saúde do povo brasileiro,  num momento crítico de pandemia, passarem pelo crivo do filho do monarca? Não ia dar certo, claro que não. A Dra dá o fora de fininho e o Brasil segue seu rumo como uma nave perdida em mar bravio, sem leme e sem comando.

Pensava-se que, depois do banho de realidade trazido pelo discurso do Lula em sua volta triunfal ao cenário da política nacional, o inominável quisesse de alguma forma repaginar o Ministério da Saúde. Ledo engano, a farsa das máscaras não passou de uma foto-op. Não obstante as quase 300 mil mortes, o dono da caneta continua firme em seu propósito de seguir cloroquinando os destinos do Brasil.

Elegante, a Dra Luhdmila Hajjar alegou diferenças técnicas para a recusa ao convite para ser ministra. Mas em nenhum momento deixou de denunciar o fascismo a que foi exposta pela tropa de choque do negacionismo: divulgação do celular na internet, tentativas de invasão do seu quarto de hotel em Brasília, ameaças explícitas de morte. E o que é que o inominável responde: “Faz parte!” Como assim?

Não, não faz parte! Não faz parte da democracia nenhum tipo de ameaça, nenhum tipo de intimidação. Isso é crime! É crime e deve ser tratado como tal.

Como provavelmente essa barbaridade vai ficar por isso mesmo, o que nos toca fazer é tentar nos proteger, é seguir usando máscaras, lavando as mãos sem dispensar o álcool gel, é seguir mantendo  nosso penoso mas necessário distanciamento social, porque de onde a gente  não espera mais nada é que não vai sair nada mesmo. Viveremos, sabe-la lá por quanto tempo, a dor do caos e da tragédia!

Não há como não concordar com a Dra Ludhmila Hajjar: “Não querem o bem do Brasil”. Tudo isso porque, como tuitou o professor Fernando Haddad, “alguém não abre mão de continuar sendo um imbecil.”  Pela frente, a perspectiva de chegarmos a 600 mil mortes, segundo a Dra Ludhmila. O jeito é seguir esperneando, só isso, seguir esperneando. Aff…

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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