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Lula: precisamos recuperar o espírito rebelde do povo

Lula: precisamos recuperar o espírito rebelde do povo brasileiro

Em entrevista ao Brasil de Fato, ex-presidente evita fazer planos, mas projeta sua saída da prisão ao lado do povo para resistir ao desmonte do Estado.

Por Brasil de Fato

Quarta-feira, dia 23 de outubro. A placa localizada dentro da Vigília Lula Livre, a poucos passos da sede da Polícia Federal em Curitiba (PR), indica: 564 dias de resistência. É o número de dias que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra privado de liberdade, em um processo que ele afirma diversas vezes ser “mentiroso” e que foi protagonizado pelo juiz Sérgio Moro e pelo procurador Deltan Dallagnol, famoso por seu power point.

A equipe do  Brasil de Fato solicitou esta entrevista há pouco mais de seis meses. Após a autorização da juíza Carolina Lebbos, que assumiu o lugar de Moro e reiterou a sentença dada por ele, Lula decide com quem quer falar. Para entrar no prédio da Polícia Federal – que, por ironia, foi construído e inaugurado durante o governo petista –, são necessários cadastros, revistas de equipamentos e pontualidade. Lula fica em uma cela individual, de onde estabelece sua rotina de exercícios e leituras.

O encontro com o ex-presidente, que durou duas horas, ocorre no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma a sessão de julgamento sobre as prisões em segunda instância, sem que estejam esgotados todos os recursos disponíveis ao réu. O resultado da sessão define o futuro de Lula e de outros 5 mil presos no Brasil. Para o ex-presidente, a tarefa dos ministros do STF é garantir o que consta na Constituição. “Por isso que eu estou tranquilo com a votação na Suprema Corte. O que eles estão votando não diz respeito a mim, diz respeito apenas a cumprir a Constituição brasileira”, disse ao introduzir a entrevista.

Ele diz não criar expectativas sobre sua liberdade a partir da decisão do Supremo – pois Lula já vivenciou outros momentos de quase saída da prisão –, mas o ex-presidente se permitiu apontar algumas projeções para um futuro livre. Disse que irá casar novamente, que pensa em mudar de cidade e que pretende conversar com toda a população brasileira. “Eu quero viver. Eu espero que o PT me utilize, espero que a CUT me utilize, espero que os sem-terra me utilizem, espero os LGBTs me utilizem, espero que os quilombolas me utilizem, espero que as mulheres me utilizem, espero que todo mundo me utilize para fazer com que eu tenha utilidade na minha passagem pelo planeta Terra”, propõe.

É unanimidade entre todos que o visitam que ele se demonstra forte e altivo, mas fala com indignação daqueles que protagonizaram sua prisão. Neste domingo (27), Lula chegará aos 74 anos ali, na sede da Polícia Federal. “Eu estou triste por estar aqui, mas feliz por ter tantos amigos do lado de fora, tanta gente solidária. E a única coisa que eu gostaria era que as pessoas não deixassem destruir o país. Não há presidente que seja eleito para destruir o país, não há.”

Leia a entrevista completa

Fonte: PT

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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