MELQUI VIROU PÓ DE ESTRELA

Melqui virou pó de estrela

O professor camarada, o defensor de todas as  liberdades, o companheiro de todas as horas, tomou um passo apressado e embarcou nas asas da quimera, foi plantar estrelas nos jardins do céu.
Nós da equipe Xapuri nos somamos na tristeza e expressamos nossas condolências à família, às amizades, aos companheiros e às companheiras do PT, do CED São Bartolomeu e do Sinpro/DF.
Força e Fé! 
NOTA DO SINPRO/DF:

Profundamente abalada, a diretoria colegiada do Sinpro informa o falecimento do companheiro e diretor do Sinpro Melquisedek Aguiar Garcia, que atuava na regional de São Sebastião.
 
Nosso querido Melqui faleceu nesta terça-feira, 30 de novembro, no Maranhão, vítima de enfarte, aos 47 anos.

Melquisedek, carinhosamente conhecido como Melqui, sempre foi um exemplo de dedicação e amor pelo ensino. Ele não era apenas um professor, mas um mentor inspirador para muitos de seus alunos. Sua abordagem única e sua capacidade de engajar os estudantes eram notáveis. Ele sempre trazia novas metodologias para a sala de aula, buscando não só transmitir conhecimento, mas também despertar o interesse e a curiosidade em seus alunos.

 
Melquisedek foi ao Maranhão visitar sua mãe, que estava adoecida. Passou mal, foi transferido para a capital São Luiz mas não resistiu. Ele deixa três filhos.

Além de seu trabalho no CED São Bartolomeu, Melqui também tinha uma forte presença na comunidade, onde organizava eventos educacionais e culturais. Ele acreditava que a educação deveria ser uma ferramenta de transformação social e sempre incentivava seus alunos a se envolverem em projetos comunitários. Sua paixão pela educação e pelo bem-estar de sua comunidade era contagiante.

 
O CED São Bartolomeu, em São Sebastião, instituição da qual ele era professor regente, decretou luto. Não haverá aula amanhã, quarta-feira, 01 de dezembro.

Foi em um desses projetos que muitos de seus alunos e colegas se reuniram para criar uma homenagem a Melqui, um mural na escola que retratava sua trajetória e suas contribuições. Este mural não era apenas uma forma de honrar sua memória, mas também um espaço onde os alunos podiam expressar o que aprenderam com ele e como ele impactou suas vidas.

 
Tão logo tenhamos mais detalhes, traremos as informações.

Melqui também era um defensor fervoroso dos direitos dos professores. Ele sempre lutou por melhores condições de trabalho e remuneração justa, sabendo que a valorização dos educadores é fundamental para a qualidade da educação. Sua atuação no Sinpro/DF foi marcada por sua determinação em representar os interesses de seus colegas de profissão, buscando sempre o diálogo e a construção de soluções coletivas.

 
No momento, nos somamos consternados à dor da família.

A perda de Melqui deixa um vazio imenso na vida de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Sua alegria, seu sorriso e sua energia positiva eram características marcantes que permanecerão na memória de todos. A comunidade educacional sente profundamente essa ausência, mas sua legado continuará a inspirar futuras gerações de professores e alunos.

 
Melquisedek, PRESENTE! 

Em homenagem ao professor Melquisedek Aguiar Garcia, muitos estão organizando uma série de eventos para celebrar sua vida e suas contribuições. Essas iniciativas buscam não apenas recordar os bons momentos que passaram ao lado dele, mas também reforçar a importância da educação e do compromisso social que ele sempre defendeu. É um momento para refletir sobre o impacto que um educador pode ter na vida de seus alunos e na sociedade como um todo.

O Legado de um Professor: Melquisedek Aguiar Garcia

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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