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MNU exige investigação rigorosa e punição máxima para assessor do inominável

MNU exige investigação rigorosa e punição máxima para assessor do inominável

“Exigimos que a atitude seja investigada e punida com máximo rigor”, diz MNU em NOTA sobre caso do assessor de Bolsonaro, Filipe Martins, flagrado durante sessão no Senado fazendo com as mãos sinal utilizado por supremacistas brancos na quarta-feira, 25 de março. Leia a nota na íntegra:

Supremacia branca: engravatados racistas do Bolsonaro – Exigimos que a atitude seja investigada  e punida com máximo rigor pelos órgãos competentes

Nesta quarta-feira (24 de março), três dias após o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, durante uma sessão remota do Senado, o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, fez gestos neonazistas, utilizados por supremacistas brancos estadunidenses. 

Na ocasião, o senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), que participava da sessão, entendeu o gesto como obsceno e pediu que o assessor fosse retirado pela polícia legislativa. Esta é mais uma demonstração das pessoas que ocupam cargos de poder no governo Bolsonaro. Um governo fascista, genocida, racista e que prega todo tipo de discriminação. 

Vale lembrar que não é a primeira vez em que o assessor mostra, publicamente, este tipo de posicionamento, já tendo usado lemas associados à ditadura da Espanha e publicado um poema em seu Twitter que abre o manifesto de Brenton Tarrant, autor de um ataque de tiros em uma mesquita na Nova Zelândia, que deixou 50 mortos/as.

Exigimos que a atitude do assessor seja investigada e punida  com máximo rigor. Neste momento, em que inúmeras vidas estão sendo perdidas para a COVID-19, se posta a urgência de ações de proteção à vida e contra qualquer tipo de discurso de ódio. 

Enquanto coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), secretária de combate ao racismo da CNTE, secretária de comunicação da CUT Goiás e tesoureira do SINTEGO, com um histórico de luta de mais de 30 anos, repudio a ofensa proferida pelo assessor. Não podemos aceitar que em 2021, tais atitudes sejam postas à luz novamente impunemente. 

Seguiremos na luta, vigilantes e acompanhando de perto, para que situações que causem crises contra a humanidade não sejam reafirmadas. Indo, neste momento, buscar nossos direitos e procurar todas as instituições para denunciar este senhor e pedir proteção às nossas vidas.

Ieda Leal

Ieda Leal, 55 anos, professora da Rede Pública de Goiânia, mãe, avó, mulher negra na luta e na resistência – Coordenadora Nacional do Movimento Negro Unificado (MNU) – Secretária de combate ao racismo da CNTE Tesoureira do SINTEGO – Secretária de comunicação da CUT Goiás – Conselheira da Revista Xapuri. 

 

 


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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