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“Vai ter Gorda”: Baianas organizam ato de resistência em Salvador

“Vai ter Gorda”: Baianas organizam ato de resistência em Salvador

Mulheres fazem ato ‘Vai Ter Gorda’ no Porto da Barra, em Salvador: ‘Resistir para existir

Por Fonte: G1/Bahia

O movimento “Vai Ter Gorda” levou várias mulheres à praia do Porto do Barra, em Salvador, neste domingo (10). A ação tem como objetivo combater o preconceito sofrido pelas pessoas que estão acima do peso, a chamada “gordofobia”.

“Temos tido grandes avanços. Elas têm perdido o medo de ir à praia, estão com coragem para enfrentar o mercado de trabalho. [vamos] Resistir para existir”, afirmou Adriana Santos, organizadora do grupo.

Há três anos fazendo ações, o movimento surgiu em 2016, com o intuito de combater a gordofobia e incentivar a valorização das mulheres gordas.

Desde então, o histórico de luta do grupo se baseia em ações de reivindicações de políticas públicas para tirar as mulheres gordas de uma exclusão do mercado de trabalho, além de abraçar outras demandas dos direitos humanos.

Desde que o movimento começou, este é o sexto ato do “Vai Ter Gorda na Praia” em Salvador. Segundo Adriana, o resultado é positivo.

“Tem sido muito boa recepção das pessoas. No início, elas têm um impacto [ao ver] várias gordas na praia, mas nunca foi proibido o trabalho de mostrar a face do preconceito [para tirar] da mente das pessoas”, disse.

Ainda de acordo com Adriana, a ação também é para chamar atenção para o direito das mulheres gordas ocuparem espaços públicos, sem sofrer discriminação.

“A gente precisa romper essas barreiras do preconceito, da discriminação e dizer um não à gordofobia”, concluiu.
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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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