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Ahó Ahó: uma lenda do sul do Brasil

Ahó Ahó: uma lenda do sul do Brasil

Ahó Ahó: uma lenda do sul do Brasil

Existe no imaginário popular associado ao folclore do Sul do Brasil a figura de uma criatura monstruosa, parecida com um carneiro de grandes e pontudos chifres, também descrita como um cachorro peludo, que soltava fumaça pela boca quando atacava, com uma avidez danada, desavisados seres humanos…

Por Zezé Weiss

Ao contrário da maioria dos mitos brasileiros, que se apresentam como figuras solitárias, os Ahó Ahó agiam em bando, emitindo um som parecido com Ahó Ahó (daí seu nome), quando investiam contra indígenas que se desgarravam das reduções mantidas pela Companhia de Jesus. É o que diz a lenda.

De onde sai uma história dessas? Neste caso, parece ser que o mito do Ahó Ahó foi difundido pelos padres jesuítas, no tempo das Missões, para assustar os índios Guarani, demonizando sua jornada livre pela floresta, para forçar sua permanência fora de suas aldeias, no território das Missões.

A ideia de que a única solução para se salvar da fúria dos Ahó Ahó era subir numa palmeira sagrada de onde se tiravam as palmas para as bençãos da Igreja no Domingo de Ramos (o domingo antes da Páscoa, segundo o Cristianismo) reforça a tese da difusão do mito pelos jesuítas das Missões do Sul do Brasil.

Entretanto, o mito parece ter ido mais além e hoje é conhecido em todo o território ocupado pelas nações do povo indígena Guarani, tanto no Brasil quanto na Argentina, na Bolívia e no Paraguai.

Zezé Weiss – Jornalista Socioambiental. Releitura da Lenda dos Ahó Ahó, com base em literatura encontrada na Internet.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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