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Museu Iaiá Procópia: Tesouro Kalunga na Comunidade do Riachão

Museu Iaiá Procópia: Tesouro Kalunga na Comunidade do Riachão

“Eu sempre escutei que museu é onde se guarda coisa de morto.  Pois o meu eu quero em vida, com tudo organizado do meu próprio gosto e jeito.” –  Procópia dos Santos Rosa, a Iaiá Procópia, durante a inauguração de seu próprio museu, na comunidade Riachão.

Por Zezé Weiss

O convite veio da Bia Kalunga, via zap: “Vó Procópia vai inaugurar o museu dela no dia 7 de dezembro [de 2019) e faz questão de sua presença.” Atendendo ao chamado, lá fomos nós.

Depois de uma viagem longa, passando por Teresina de Goiás, distante cerca de 300 quilômetros de Brasília, seguimos por mais 22 km na rodovia asfaltada rumo a Monte Alegre de Goiás e, de lá, uns 500 metros depois da ponte do rio Paranã, dobramos à esquerda em uma tortuosa estrada de terra por mais 60 quilômetros subindo e descendo serra.

Pouco antes da hora do almoço, por volta de uma hora da tarde, avistamos Iaiá Procópia (Procópia dos Santos Rosa, a matriarca do povo Kalunga), toda faceira, sentada na varanda de sua casinha branca, localizada bem do lado do museu que a homenageia em vida, como era de sua vontade.

Feitos os cumprimentos, entramos para conhecer o Museu. Concebido como um espaço cultural, político e identitário, o Museu abriga documentos e fotos de Procópia, moradora da comunidade Riachão desde seu nascimento em 10 de fevereiro de 1933, e de sua luta em defesa do povo Kalunga.

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Ali estão, ao lado de peças do artesanato que conta a história e registra a memória da comunidade, os documentos de todo o processo histórico de configuração e consolidação do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga. Em um espaço singelo e pequeno (a sala de exposição não deve ter mais do que 50 metros quadrados), Iaiá Procópia concentra o registro de uma vida inteira dedicada ao seu povo Kalunga.

Vale o registro, do lado de fora, da pintura que adorna a parede externa do Museu, presente de uma artista goiana que passou pelo Riachão, se encantou com o projeto e voltou para fazer a pintura, presente dela para Iaiá Procópia.

O resto do dia foi festa, com almoço regado a delicioso suco de mangaba, danças típicas, como  a sussa,  e rodas de prosa, seguidas do discurso de vó Procópia que, sem saber ler nem escrever, foi capaz de liderar a conquista do território e da liberdade de seu povo, razão porque julga justo e necessário, construir em vida o museu que registra sua trajetória, do seu próprio gosto e jeito, como ela mesma disse em seu discurso de inauguração.

Longa vida a vó Procópia e vida eterna ao Museu Iaiá Procópia!


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Uma linda e singela história do Cerrado. Em comovente narrativa, o professor Altair Sales nos leva à vida simples e feliz  no “jardim das plantas tortas” de um pacato  povoado  cerratense, interrompida pela devastação do Cerrado nesses tempos cruéis que nos toca viver nos dias de hoje. 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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