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Nada de errado em amar: Ao postar foto com esposo, Major do Exército dá baile em homofóbicos

Nada de errado em amar: Ao postar foto com esposo, Major do Exército dá baile em homofóbicos

Major do Exército dá um baile em homofóbicos após sua foto com o esposo viralizar

Por: Redação hypeness

Um major do Exército deu um exemplo lindíssimo contra a homofobia. Emerson Cordeiro escreveu um textão para rebater comentários preconceituosos depois dele ter postado uma fotografia ao lado do companheiro em comemoração aos seis anos de união.

O militar revela que um colega de farda printou e repassou a foto para grupos militares com o intuito de constranger Emerson. “Daí em diante viralizou a imagem por outros grupos, formados na maioria por militares, particularmente Oficiais do Exército Brasileiro”.

Emerson diz que a orientação sexual foi recebida com a naturalidade devida no quartel onde serve.

“Até então eu não estava dando importância, pois aos companheiros de farda que não sabem e que também não lhe diz respeito, sou casado com outro homem desde 2018 e declarei isso no atual quartel onde sirvo no mesmo dia que assinei o documento no cartório. Na época, o assunto foi tratado naturalmente sem alarde, sem espanto e sem absurdos. Segui minha vida de casado normalmente, como sempre vivi e vivo, sem nada a esconder. Desculpe se te poupei da ‘novidade’”.

No entanto, de acordo com o relato do verde oliva, a homofobia de alguns membros do Exército se manifestou a partir da postagem do  fatídico retrato em que aparece abraçando o marido. Emerson não esmoreceu e deu exemplo.

“Aos Danieis, Ronaldos, Eduardos e outros nomes que seguem na lista dos que estão divulgando minha fotografia, meu muito obrigado, obrigado por mostrarem as outras pessoas o seu desejo reprimido, sua inveja magoada por minha felicidade e toda a sua pobreza de espírito. Infelizmente ser livre e ser feliz tem seu preço e talvez a coragem e a honestidade que me é exigida por essa liberdade jamais será conseguida por suas almas miseráveis, sinceramente, eu desejo que vocês consigam, se não for nesta que seja na próxima encarnação. É preciso ser muito homem para isso. Talvez você nunca saberá”.

“No meu dia a dia, convivo harmoniosamente com meus colegas de trabalho, o meio militar tem seus preceitos, suas normas e regulamentos, e o Exército Brasileiro tem evoluído junto com a sociedade. Isso é bom, só que muitos militares ficam inconformados com a evolução, com a mudança de pensamento e com o medo de despertar para seus desejos proibidos que até então sempre estiveram inertes e acorrentados em suas mentes reprimidas, exalando homofobia e preconceito. Nesse caso você tem a minha pena. As portas da liberdade foram abertas e é lógico que os primeiros que ousarem atravessar essa trincheira sentirão as sequelas das línguas afiadas, dos olhos que fuzilam o diferente, do medo de não poder mais ser igual. Estou pagando o preço de ser livre, estou cumprindo meu papel, não escondo e muito menos me arrependo, é meu o caminho que percorro, colho os louros e as derrotas que são minhas e mais de ninguém e a minha felicidade jamais será submetida à nenhuma aprovação. Tenha coragem para ser feliz, pois sua covardia é tamanha que ao dar print da tela escondeu até seu nome de usuário. Coisa de macho! Nem parece que passamos pela mesma honrosa Academia Militar das Agulhas Negras onde esconder-se no anonimato era um dos atos mais vergonhosos.”

A postura do major Emerson Cordeiro demonstra que o Exército pode ser um lugar de diversidade e relações humanas. Orientação sexual não mede caráter ou a capacidade de trabalho de ninguém. E isso é fato há muuuuito tempo.

Fonte: https://www.hypeness.com.br/2019/03/major-do-exercito-da-um-baile-em-homofobicos-apos-sua-foto-com-o-esposo-viralizar/?utm_source=facebook&utm_medium=hypeness_fb&fbclid=IwAR1vuf7SVlQ560kazPRADHbYmAoZB-uViY8sZKyycQ4c0vUBDYvMU83GDbU

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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