Neruda: “Ao Meu Partido”
Pablo Neruda in (Confesso que Vivi).
A meu Partido
Eu preconizo um amor inexorável.
E não me importa pessoa nem cão:
Só o povo me é considerável,
Só a pátria é minha condição.
Povo e pátria manejam meu cuidado,
Pátria e povo destinam meus deveres
E se logram matar o revoltado
Pelo povo, é minha Pátria quem morre.
É esse meu temor e minha agonia.
Por isso no combate ninguém espere
Que se quede sem voz minha poesia.
(Neruda, 1980)
Fonte: averdade.org.br
LEIA TAMBÉM:Um poema para o fim do mundo
Por Pablo Neruda
Canto
Morri com todos os mortos
por isso pude reviver
empenhado em meu testemunho
e em minha esperança irredutível.
Um mais, entre os mortais,
profetizo sem vacilar
que apesar do fim do mundo
sobrevive o homem infinito.
Rompendo os astros recentes,
golpeando metais furiosos
entre as estrelas futuras,
endurecidos de sofrer,
cansados de ir e de voltar,
encontraremos a alegria
no planeta mais amargo.
ADEUS
Terra, te beijo, e me despeço.
***
Eu morri com todos os mortos,
por isso pude reviver
determinado em meu testemunho
e em minha esperança irredutível.
Mais um, entre os mortais,
profetizo sem hesitar
que, apesar deste fim do mundo,
o homem infinito sobrevive.
Quebrando as estrelas recentes,
atingindo metais furiosos
entre as futuras estrelas,
endurecidas para sofrer,
cansadas de ir e voltar,
encontraremos alegria
no planeta mais amargo.
Tchau
Terra, eu te beijo e digo adeus.
Fonte: (do livro Fin de Mundo, 1969)
LEIA TAMBÉM:A “perigosa poesia” de Pablo Neruda
“o poeta que sabe chamar o pão de pão e o vinho de vinho é perigoso para o agonizante capitalismo” (Confesso que Vivi).
Eu não me calo.
Eu preconizo um amor inexorável.
E não me importa pessoa nem cão:
Só o povo me é considerável,
Só a pátria é minha condição.
Povo e pátria manejam meu cuidado,
Pátria e povo destinam meus deveres
E se logram matar o revoltado
Pelo povo, é minha Pátria quem morre.
É esse meu temor e minha agonia.
Por isso no combate ninguém espere
Que se quede sem voz minha poesia.













